36% das bacias hidrográficas do mundo tiveram vazão abaixo do nível normal em 2025

Em agosto de 2026, o leito do Rio da Prata, em Jardim, no Mato Grosso do Sul, amanheceu seco. Embora isso já tenha acontecido antes, devido à estação de seca na região, desta vez foi mais cedo. No ano anterior, o fenômeno tinha sido observado em meados de setembro.

Meses antes, rios da Europa também demonstraram estresse climático, decorrente do calor extremo e da falta de chuvas. Alguns deles, como o Danúbio, o segundo mais longo do continente, que atravessa dez países, atingiu o menor nível já registrado. Com isso, carcaças de navios da Segunda Guerra Mundial começaram a ser avistadas. Na Hungria e na Romênia, o funcionamento de usinas nucleares, que fornecem energia, precisaram ser interrompidos porque não havia água suficiente para resfriar os reatores.

O que ocorreu tanto no Brasil como nos países europeus este ano não foi algo atípico. Segundo o relatório State of Global Water Resources, divulgado na quinta-feira (17/09), pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), em 2025, rios do mundo todo registraram um dos anos mais secos, em mais de três décadas.

Entre 2021 e 2025, 36% das bacias hidrográficas globais tiveram vazão abaixo do nível normal, aponta o levantamento, afetando bacias do Amazonas e do Rio da Prata (América do Sul), América do Norte, África Central e Oriental, Ásia Central e Oriente Médio.

O ano passado foi o sétimo consecutivo que o número de bacias hidrográficas com condições “normais” representou uma clara minoria: variando entre 34% e 38%, em comparação com a média de 46% registrada entre 1991 e 2020.

“Estamos esgotando nossas reservas. O armazenamento global de água em terra firme tem apresentado uma tendência de queda desde o período de 2014–2016 — um sinal persistente que já dura uma década”, alerta Celeste Saulo, secretária-geral da OMM. “A situação das águas subterrâneas segue o mesmo padrão: quase dois terços dos poços monitorados em todo o mundo apresentaram condições fora da normalidade histórica em 2025, e o balanço pendeu ainda mais para o déficit em relação a 2024, em vez de caminhar para a recuperação.”

Extremos climáticos

Essas instabilidades observadas em bacias globais provocam não apenas seca, mas outros desastres climáticos. Especialistas envolvidos na elaboração do relatório explicam que rios, lagos e outros cursos d’água acima da superfície podem responder rapidamente, e positivamente, à chegada de chuvas. Em poucos dias já pode ser notada uma recuperação.

Todavia, não é que acontece com as águas subterrâneas ou geleiras, por exemplo, que podem levar muitos anos para se restabelecer. De acordo com o relatório, 2025 marcou o quarto ano consecutivo de perda generalizada de massa glacial em todas as regiões, “provocando riscos de curto prazo, como inundações, e insegurança hídrica a longo prazo”, alerta o relatório.

De acordo com o estudo, nos últimos cinco anos, serviços meteorológicos e hidrológicos relataram inundações e secas que bateram recordes. Em alguns locais, não houve tempo de recuperação entre um evento e outro.

Ásia e África foram as regiões mais afetadas por eventos extremos no ano passado, com vários países africanos enfrentando grandes inundações por dois (Nigéria) ou três anos consecutivos (República Democrática do Congo).

Já o Sul e o Sudeste asiático foram atingidos por ciclones tropicais e monções intensas, resultando em até 3.600 mortes nos países afetados — Sri Lanka, Paquistão, Vietnã, Indonésia, Tailândia, Malásia e Filipinas.

Fonte: Conexão Planeta.

Foto: Damian Karpiński / Unsplash.

Seja o primeiro

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *