40% dos maiores rios do mundo enfrentarão secas até 2100 e quase 1 bilhão de pessoas serão afetadas

Pesquisadores estão apenas confirmando uma realidade que já vem sendo sentida há alguns anos globalmente, incluindo no Brasil, e alertando que as previsões para o futuro são ainda piores do que aquelas projetadas anteriormente. Assim como no Pantanal o rio Paraguai teve a maior seca de sua história e o Solimões foi impactado por seca extrema em 2024, até o final deste século 40% dos 30 maiores rios do planeta apresentarão diminuição no escoamento de água, afetando 850 milhões de pessoas – uma população 100 vezes maior que a cidade de Nova York, em comparação às estimativas feitas no passado de 260 milhões.

“O que esse novo estudo revela é que alguns dos melhores e mais modernos modelos computacionais projetam as piores condições em termos do impacto da escassez de água”, diz Auroop Ganguly, professor da Universidade Northeastern, nos Estados Unidos, e um dos coautores da pesquisa que acaba de ser publicada no periódico Climate and Atmospheric Science, do grupo da renomada revista Nature.

Para fazer a análise, os cientistas escolheram as 30 maiores bacias hidrográficas do mundo, entre elas a dos rios Amazonas, Congo, Ganges, Brahmaputra e Nilo. “Queríamos ver como o escoamento nessas bacias, ou a disponibilidade hídrica nessas bacias, era representada em diferentes modelos climáticos”, explica Puja Das, principal responsável pelo levantamento.

Ela ressalta que estas estimativas populacionais são importantes porque “dão aos formuladores de políticas públicas uma ideia do que esperar em termos de disponibilidade de alimentos, água e energia, já que o escoamento dos rios recarrega os suprimentos de água, enriquece o solo agrícola e gera energia hidrelétrica.”

Os pesquisadores projetaram também como o escoamento de água nessas bacias hidrográficas será afetado por distintos cenários de emissão de carbono na atmosfera.

“Vimos que, se tivermos um mundo mais verde [com menos emissões], a disponibilidade de água será maior e menos pessoas serão impactadas devido à redução da disponibilidade”, afirma Puja. “Descobrimos que 500 milhões de pessoas seriam afetadas em vez de 900 milhões, mas a disponibilidade de água ainda diminuirá em certas partes do mundo.”

Um outro estudo divulgado em 2024 mostrou que 40% das terras do planeta tornaram-se permanentemente mais secas nas últimas três décadas. Segundo o levantamento, em 2020, 30,9% da população global vivia em terras áridas, comparado a 22,5%, em 1990. O impacto dessa transição de terras que antes eram consideradas úmidas para áridas é devastador em todos os sentidos: para o meio ambiente, a vida selvagem, as pessoas que habitam essas regiões e ainda, para a agricultura.

Fonte: Conexão Planeta.

Foto: Freepick.