Bill Gates está alertando que o mercado sozinho não pode resolver as mudanças climáticas, justamente quando o presidente Donald Trump retira os EUA de organizações climáticas globais importantes.
“Políticas governamentais em países ricos ainda são fundamentais porque, a menos que as inovações atinjam escala, os custos não diminuirão e não alcançaremos o impacto que precisamos”, escreveu o bilionário fundador da Microsoft em sua carta anual de perspectivas, divulgada nesta sexta-feira (9).
Segundo Gates, que fundou a Breakthrough Energy Ventures para financiar startups focadas no clima, “as paraças de mercado não incentivam adequadamente a criação de tecnologias para reduzir emissões relacionadas ao clima” em um momento em que a poluição de carbono não está sendo precificada na maioria dos países. Sem reduzir os gases de efeito estufa, o mundo não conseguirá diminuir os riscos do aquecimento global.
“Se não limitarmos as mudanças climáticas, elas se juntarão à pobreza e às doenças infecciosas causando enorme sofrimento, especialmente para as pessoas mais pobres do mundo”, escreveu Gates.
“Como mesmo no melhor cenário a temperatura continuará a subir, também precisamos inovar para minimizar os impactos negativos.”
A carta mais recente surge cerca de dois meses depois que Gates foi criticado por alguns ativistas e pequenos Estados insulares quando disse que priorizar a luta contra o clima acima de tudo arrisca ofuscar questões como saúde e igualdade. No memorando desta sexta-feira, Gates reiterou seu apelo para que o mundo se concentre mais na adaptação aos impactos climáticos.
A Fundação Gates anunciou em novembro que destinará US$ 1,4 bilhão para apoiar agricultores na linha de frente de condições climáticas extremas. Em sua carta de perspectivas, Gates disse que usando inteligência artificial, “em breve poderemos fornecer aos agricultores pobres, conselhos melhores sobre clima, preços, doenças de cultivos e solo do que mesmo os agricultores mais ricos recebem hoje”.
Sua carta chega pouco depois da administração Trump ter desferido um novo golpe à ação climática global ao anunciar a retirada dos EUA dos programas climáticos das Nações Unidas e de uma organização intergovernamental que apoia a transição energética global. A administração também reduziu anteriormente a ajuda externa, incluindo projetos de adaptação climática.
Desde o retorno de Trump à Casa Branca em 2025, os EUA fizeram uma reviravolta em sua política energética doméstica, aumentando o apoio governamental aos combustíveis fósseis enquanto reduzem subsídios para muitas iniciativas verdes.
Apesar desses contratempos e demissões no ano passado nas equipes de políticas da Breakthrough Energy, Gates disse que vai “investir e doar mais do que nunca para o trabalho climático” nos próximos anos, e que ainda tem esperança de que o mundo faça progressos em questões ambientais e outros problemas urgentes, incluindo saúde pública, educação e minimização dos impactos da IA.
Ele também observou que o enfrentamento das mudanças climáticas pode “melhorar rapidamente com o foco governamental adequado”.
Fonte: Folha SP>
Foto: Brian Snyder – 4.set.25/Reuters.


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