Ataques a depósitos de petróleo no Irã elevam risco de poluição tóxica e chuva ácida

Bombardeios contra instalações petrolíferas no Irã realizados por Israel com apoio dos Estados Unidos provocaram incêndios de grandes proporções e lançaram na atmosfera densas nuvens de fumaça carregadas de poluentes. Além da escalada militar, especialistas alertam para um efeito colateral pouco visível: a liberação maciça de gases e partículas capazes de afetar a saúde humana e desencadear episódios de chuva ácida.

Imagens que circularam nas redes e em agências internacionais mostram colunas de fumaça negra se espalhando sobre áreas próximas a Teerã após explosões em depósitos e centros de armazenamento de combustível. Incêndios em estruturas desse tipo podem queimar milhares de toneladas de petróleo e derivados em poucas horas, liberando uma mistura complexa de gases tóxicos e material particulado.

Entre os principais poluentes estão dióxido de enxofre (SO₂), óxidos de nitrogênio (NOx) e partículas finas conhecidas como PM2.5. Essas substâncias estão associadas a irritação das vias respiratórias, crises de asma, inflamação pulmonar e aumento do risco cardiovascular — especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.

Além do impacto direto da fumaça, a composição química das emissões levanta preocupação com a formação de chuva ácida. Quando dióxido de enxofre e óxidos de nitrogênio reagem com vapor d’água na atmosfera, podem gerar ácidos sulfúrico e nítrico. Ao retornarem ao solo com a precipitação, esses compostos acidificam solos e corpos d’água, prejudicam a vegetação e podem corroer estruturas urbanas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou na terça-feira, 10, que a “chuva negra” que caiu no Irã após ataques a instalações petrolíferas pode causar problemas respiratórios. A agência apoiou a recomendação da República Islâmica para que as pessoas permaneçam em casa.

Durante declaração à imprensa em Genebra, na Suíça, o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, afirmou que a chuva que cai em Teerã após os ataques “representa, de fato, um perigo para os iranianos”.

“Estamos em contato com os hospitais e com as autoridades iranianas, que emitiram um alerta aconselhando as pessoas a permanecerem em suas casas, em vista dos ataques a depósitos de petróleo, em especial”, disse ele.

Novos ataques iranianos contra infraestruturas petrolíferas no Bahrein e na Arábia Saudita também aumentaram as preocupações com uma “exposição regional mais ampla à poluição”, disse Lindmeier, destacando os efeitos a longo prazo dos poluentes, que afetam a saúde respiratória e contaminam a água.

Os impactos ambientais de incêndios em infraestrutura energética costumam ir além do momento do ataque. A combustão incompleta de petróleo pode liberar hidrocarbonetos tóxicos e metais pesados, enquanto a deposição de fuligem contamina solos e reservatórios de água. Dependendo da escala dos incêndios e das condições meteorológicas, a poluição pode se espalhar por centenas de quilômetros.

Passado tóxico

Conflitos anteriores ilustram o potencial desses eventos. Durante a Guerra do Golfo, em 1991, incêndios em centenas de poços de petróleo no Kuwait produziram uma das maiores crises de poluição atmosférica já registradas em um cenário de guerra. As nuvens de fumaça reduziram a visibilidade, afetaram a saúde de populações locais e liberaram enormes quantidades de dióxido de carbono e enxofre na atmosfera.

No caso iraniano, a extensão dos danos ambientais ainda está sendo avaliada. Mas especialistas em saúde ambiental apontam que incêndios industriais de grande escala podem deteriorar rapidamente a qualidade do ar e expor populações inteiras a níveis perigosos de poluição por dias ou semanas.

Enquanto as consequências militares e geopolíticas do ataque continuam a se desenrolar, cientistas alertam para um custo menos visível do conflito: a deterioração ambiental e os riscos à saúde pública provocados pela queima massiva de combustíveis fósseis.

Fontes: Um Só Planeta, Estadão.

Foto: Reprodução.

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