O declínio global da eletricidade fóssil começou. Assim diz o título do novo relatório do think tank global de energia Ember, divulgado nesta terça (27), que revela que os 38 países membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) geram agora 19% menos eletricidade a partir de combustíveis fósseis do que em seus níveis de pico, em 2007. Os dados mostram que, há 19 anos, a geração vinda de combustíveis fósseis respondia por 63% da produção total de eletricidade do grupo. Hoje, representa 48% do total gerado, passando de 6.753 TWh em 20027 para 5.440 TWh em 2025.
Além disso, o ano de 2025 marcou a primeira vez neste século em que países fora da OCDE — incluindo grandes consumidores de eletricidade como China e Índia — registraram uma queda simultânea na geração fóssil – com exceção de 2020, ano afetado pela pandemia de Covid-19.
“A transição para longe da energia fóssil já está em curso”, afirmou Wilmar Suárez, analista de energia para a América Latina na Ember, em comunicado.
Entre os países da OCDE, o carvão foi o combustível que registrou a maior diminuição: 53% desde 2007 – de 3.853 TWh para 1.808 TWh em 2025. A nação membro mais recente a abandonar esse combustível foi a Finlândia, que fechou sua última usina em abril de 2025.
A queda do carvão foi acompanhada por uma redução de 63% na eletricidade proveniente de outros combustíveis fósseis (principalmente petróleo), que passou a 213 TWh.
Já a geração a gás seguiu uma trajetória diferente, crescendo 46% no mesmo período, de 2.334 TWh para 3.419 TWh. Oitenta e quatro por cento desse crescimento concentrou-se nos Estados Unidos, impulsionado por uma mudança estrutural do carvão para o gás.
O relatório aponta que Islândia e Costa Rica já operam sistemas elétricos totalmente livres de combustíveis fósseis. A Colômbia, que está sediando a conferência de Santa Marta sobre a transição para longe dos combustíveis fósseis, viu sua geração fóssil cair 13% abaixo do pico registrado em 2024.
Outros membros latino-americanos da OCDE apresentam tendência semelhante: a geração fóssil do Chile está 36% abaixo do pico de 2013, enquanto a do México está 6% abaixo do pico de 2018.
Energia solar e eólica
Segundo o Ember, a queda nos custos da energia solar e eólica é um dos principais motores dessa mudança. Em 2025, o custo médio nivelado dessas energias onshore foi cerca de 60% menor do que o de usinas a gás de ciclo combinado.
Na América Latina e no Caribe, a geração fóssil caiu 16% desde seu pico em 2015, enquanto a energia solar e eólica cresceram oito vezes, mais do que atendendo ao aumento de 15% na demanda por eletricidade na região.
“O domínio dos combustíveis fósseis na eletricidade da OCDE foi quebrado”, salientou Wilmar. “O declínio não está mais limitado às economias maduras; estamos começando a vê-lo em todo o mundo, impulsionado pelo fato de que solar e eólica simplesmente fazem sentido econômico.”
Outro destaque do relatório é que a redução na geração fóssil levou a uma queda de 28% nas emissões do setor elétrico da OCDE desde 2007. Isso representou uma diminuição de 1.477 milhões de Toneladas de Dióxido de Carbono Equivalente (MtCO₂e), atingindo 3.818 MtCO₂e em 2025.
Fonte: Um Só Planeta.
Foto:Foto: Unsplash.


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