A Descoberta Alarmante: Estudo Pioneiro Revela Explosão de Moluscos Invasores

Um estudo pioneiro liderado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) acaba de lançar luz sobre uma ameaça silenciosa à biodiversidade brasileira: os moluscos não nativos. Publicado na revista Biological Invasions em abril de 2026, o inventário nacional identifica 82 espécies exóticas de moluscos no país, um aumento superior a 200% em apenas 15 anos, passando de 26 para 82 espécies registradas. Coordenado por Fabrizio Marcondes Machado, da Unicamp, o trabalho envolveu 27 especialistas e representa o primeiro levantamento abrangente do tipo no Brasil, destacando a urgência de ações de biossegurança.

Esses invertebrados, que incluem caracóis, lesmas, mexilhões e ostras, chegam via comércio internacional, aquicultura e balastros de navios, alterando ecossistemas de água doce, marinhos e terrestres. O estudo não só cataloga as espécies, mas classifica seu status de invasão: Entre as espécies catalogadas, 20 são classificadas como invasoras por provocarem impactos ambientais, econômicos ou à saúde. Outras 13 ainda não têm informações suficientes para que seus efeitos sejam avaliados. O levantamento é o mais abrangente já realizado sobre moluscos não nativos no Brasil.

Esses invertebrados, que incluem caracóis, lesmas, mexilhões e ostras, chegam via comércio internacional, aquicultura e balastros de navios, alterando ecossistemas de água doce, marinhos e terrestres. O estudo não só cataloga as espécies, mas classifica seu status de invasão: 20 são invasivas ativas, 20 estabelecidas, 18 detectadas recentemente, 12 contidas e 12 com dados insuficientes. Além disso, 13 espécies criptogênicas (origem incerta) foram listadas separadamente.

“Observamos uma taxa acelerada de introdução de moluscos não nativos no Brasil, além de lacunas persistentes no conhecimento taxonômico e ecológico sobre essas espécies”, afirma Marcel Sabino Miranda, um dos autores do estudo. A pesquisa foi desenvolvida durante seu pós-doutorado no Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo.

Os pesquisadores defendem o fortalecimento das medidas de biossegurança, a ampliação dos sistemas de detecção precoce e a criação de programas permanentes de monitoramento em ambientes marinhos, de água doce e terrestres.

“Algumas espécies, como o mexilhão-dourado e o caramujo-africano, são problemáticas, mas ainda não sabemos se a maioria das espécies representa ou representará riscos”, diz Miranda.

Entre os casos mais conhecidos está o mexilhão-dourado, que chegou ao Brasil no início da década de 1990 e hoje está disseminado por grande parte da América do Sul. A espécie provoca obstruções em tubulações e reduz a eficiência de usinas hidrelétricas. Mesmo com um plano de controle em vigor, estima-se que o país já tenha gasto cerca de US$ 10 milhões para tentar conter sua expansão.

Outro exemplo é o caramujo-africano, introduzido como alternativa comercial ao escargot. Após o abandono da atividade, o molusco se espalhou por todo o território nacional. Além de causar prejuízos à agricultura, pode atuar como hospedeiro intermediário do parasita Angiostrongylus cantonensis, associado à meningite eosinofílica.

As invasões biológicas estão entre as principais causas da perda de biodiversidade no mundo, mas os moluscos ainda recebem pouca atenção no Brasil. A maior parte das pesquisas sobre espécies invasoras concentra-se em peixes, artrópodes e mamíferos.

O levantamento identificou 13 espécies classificadas como criptogênicas, quando não há evidências suficientes para confirmar se são nativas ou introduzidas. Segundo os pesquisadores, a falta de estudos genéticos e biogeográficos dificulta essa definição.

As espécies não nativas registradas estão distribuídas em diferentes ambientes: são 32 marinhas e estuarinas, 17 de água doce e 33 terrestres. Os pesquisadores classificaram cada uma conforme seu grau de estabelecimento e impacto, desde ocorrências isoladas até espécies invasoras.

Principais Espécies Invasoras e Seus Caminhos de Chegada

Mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei): Asiático, chegou via balastos navais. Reproduz-se explosivamente (milhões de larvas/dia), colonizando hidrelétricas. Em 2026, registros na Amazônia sinalizam risco continental.

Berbigão-asiático (Corbicula fluminea): Filtra água, competindo com nativos e alterando nutrientes. Comum em rios poluídos do Sudeste.

Caramujo-africano (Achatina fulica): Terrestre, devasta plantações e transmite meningite. Introduzido como pet.

Danos Econômicos: Milhões em Prejuízos Anuais

Usinas hidrelétricas perdem R$ 1 bilhão/ano com obstruções. Em Santo Antônio (RO), paradas para limpeza custam dias de geração. Aquicultura de tilápia sofre com incrustações em tanques. No mar, invasores afetam pesca comercial.

Riscos à Saúde Humana e Animal

Alguns hospedam parasitas como Angiostrongylus cantonensis (meningite eosinofílica). Achatina fulica é vetor principal. Em água doce, alterações microbiológicas favorecem patógenos.

“Para a maioria delas, apenas detectamos a presença. Ainda sabemos muito pouco. O ideal seria desenvolver estudos em larga escala e políticas públicas para avaliar os impactos e criar estratégias de contenção ou erradicação das espécies prejudiciais. Este levantamento é um primeiro passo nessa direção”, conclui Miranda.

Soluções e Recomendações: Caminhos para o Controle
  • Reforçar biossegurança em portos e aquicultura.
  • Monitoramento genético e eDNA para detecção precoce.
  • Controle biológico (predadores nativos) e químico seletivo.
  • Legislação: lista nacional de invasoras prioritárias.

Fontes: Academic Jobs, Um Só Planeta, Veja.

Foto: Instagram/Reprodução.

Seja o primeiro

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *