Em março de 2025, uma espuma amarelada e misteriosa começou a chegar às praias da Austrália e mais de um milhão de peixes, aves, moluscos e mamíferos marinhos morreram intoxicados desde então. A culpada? Um tipo raro de alga microscópica, a Karenia cristata, que produz toxinas que prejudicam as células do sistema nervoso. Mais de um ano depois, pesquisadores que estão estudando o fenômeno afirmaram em uma recente publicação na revista Nature Ecology & Evolution que esta é a espécie de alga mais tóxica já testada pela Ciência.
No estudo, publicado em 6 de julho no periódico, os autores detalham os perigos da Karenia cristata, que, mesmo em concentrações muito baixas, pode ser letal. Um microscópio potente permitiu que eles examinassem mais de perto as células da microalga, comparando-as com as de outras espécies do gênero Karenia. A equipe também desenvolveu novos métodos de genética molecular que possibilitaram distinguir diferentes espécies de Karenia em amostras de água.
As análises revelaram cinco espécies de Karenia nas amostras de água da floração no sul da Austrália, sendo K. cristata a espécie dominante. Quando cientistas cultivaram a espécie em laboratório e testaram seu efeito nas células de peixes e invertebrados — incluindo o plâncton —, obtiveram resultados “surpreendentes”, relataram os autores ao The Conversation.
“A K. cristata matou metade dos invertebrados que estudamos, mesmo em concentrações extremamente baixas. A alga teve um efeito semelhante em células de brânquias de peixes cultivadas em laboratório”, escreveram no artigo. “Pela primeira vez, isso nos dá uma explicação de por que essa proliferação foi tão devastadora em campo”, disse Craig Styan, coautor do estudo e cientista ambiental da Universidade de Adelaide, na Austrália, à rede Australian Broadcasting Corporation.
Até agora, a Ciência presumia que a espécie Karenia brevis era a mais perigosa já conhecida e que as florações dessa espécie se restringiam, em grande parte, a áreas de águas quentes. Com o novo estudo, agora se sabe que as florações de Karenia cristata podem ser muito mais graves e que a espécie consegue proliferar em temperaturas mais baixas.
Para evitar que desastres semelhantes ocorram no futuro, os pesquisadores esperam identificar os fatores específicos que provavelmente contribuíram para o crescimento sem precedentes da K. cristata no sul da Austrália. Eles também pretendem investigar os mecanismos que conferem a esta pequena alga sua potente toxicidade.
Fonte: Um Só Planeta.
Foto: Getty Images.


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