Último relatório Planetary Health Check alerta que sete sistemas vitais da Terra estão a ultrapassar níveis de transgressão sem precedentes
Pressão aumenta sobre os sistemas vitais que sustentam a vida na Terra, enquanto cientistas alertam que sete Limites Planetários já ultrapassados continuam a agravar‑se.
Mais recente avaliação Planetary Health Check, elaborada por mais de 60 cientistas e produzida pelo Instituto Potsdam para a Investigação do Impacto Climático (PIK), surge após 12 meses de calor recorde nos oceanos, cheias, incêndios florestais e ondas de calor extremo que marcaram 2026.
Conclusão é que todos os sete Limites Planetários já ultrapassados estão agora nos níveis de transgressão mais elevados de que há registo, mas sublinha que temos o “conhecimento, capacidade e soluções” para mudar de rumo.
“O diagnóstico é inequívoco”, afirma Boris Sakschewski, cientista do PIK (fonte em inglês) e autor principal do relatório.
“A pressão está aumentando em todos os Limites Planetários que já se encontram fora do espaço seguro de operação. Isto significa que o risco de mudanças de grande escala, persistentes e potencialmente irreversíveis está crescendo, enquanto a nossa margem de erro para enfrentar estes problemas se está se reduzindo.”
Os sete limites planetários que já estavam fora da faixa considerada segura pioraram em 2026 e atingiram os maiores níveis de pressão já registrados, aponta um novo relatório feito por mais de 60 cientistas e coordenado pelo Instituto Potsdam para Pesquisa sobre o Impacto Climático (PIK), na Alemanha.
O número de limites ultrapassados continua o mesmo do levantamento anterior. A novidade agora é que todos os sete seguem em piora.
O relatório também aponta avanço da acidificação dos oceanos e sinais de que florestas, solos e outros ecossistemas podem estar perdendo parte da capacidade de absorver o gás carbônico emitido pelas atividades humanas.
Terra: quais são os 9 Limites Planetários?
Criada em 2023, a ciência dos Limites Planetários procura colmatar lacunas críticas na compreensão dos sistemas de suporte de vida da Terra.
Definiu nove limites que têm de se manter dentro de parâmetros seguros para garantir que a humanidade permanece “segura” e o mundo natural “resiliente”. Os cientistas monitorizam estes limites há décadas para acompanhar o estado do planeta.
Os chamados limites planetários são indicadores usados para acompanhar nove processos fundamentais para o funcionamento da Terra.
Ultrapassar um deles não significa que haverá um colapso imediato, mas indica aumento do risco de mudanças graves e difíceis de reverter.
Os sete limites que seguem fora da faixa segura são:
– mudanças climáticas;
– perda de biodiversidade;
– mudanças no uso da terra;
– alterações na água doce;
– desequilíbrios nos ciclos de nitrogênio e fósforo;
– poluição por substâncias produzidas pelo homem, como plásticos e compostos químicos;
– acidificação dos oceanos.
Os dois limites que continuam dentro da faixa considerada segura em escala global são os relacionados à camada de ozônio e à quantidade de partículas suspensas na atmosfera, como poeira, fumaça e fuligem.
Mesmo assim, o relatório ressalta que algumas regiões ainda apresentam níveis elevados dessas partículas.
Um dos pontos de atenção da edição de 2026 é a capacidade da própria natureza de ajudar a retirar gás carbônico da atmosfera.
Vegetação e solos absorvem uma parcela importante das emissões de CO₂ produzidas pelas atividades humanas.
Mas episódios repetidos de calor, seca, incêndios e degradação de ecossistemas podem diminuir essa absorção e, em algumas regiões, fazer com que áreas que antes retiravam carbono da atmosfera passem a liberá-lo.
O relatório afirma que observações recentes levantam dúvidas sobre até que ponto florestas e outros ecossistemas conseguirão manter essa função nas próximas décadas.
“Nossa trajetória para zerar as emissões líquidas depende do funcionamento desses sistemas naturais. As observações atuais levantam um sinal de que o planeta pode estar perdendo parte dessa capacidade de proteção”, disse Sakschewski.
Outro ponto de piora é a acidificação dos oceanos. O fenômeno ocorre quando o mar absorve parte do gás carbônico presente na atmosfera, alterando a química da água.
Isso dificulta, por exemplo, a formação e a manutenção de conchas e esqueletos de alguns organismos marinhos e pode afetar cadeias alimentares, pesca e ecossistemas costeiros.
O levantamento também reforça que os nove limites não funcionam separadamente. Alterações no clima, na biodiversidade, na água, nas florestas e nos oceanos podem se influenciar e ampliar os efeitos umas das outras.
Apesar do cenário de piora, os pesquisadores destacam que há exemplos de recuperação. A camada de ozônio, por exemplo, voltou para a faixa considerada segura após acordos internacionais restringirem substâncias responsáveis por sua degradação.
Para Johan Rockström, diretor do PIK e um dos autores do relatório, medidas para reduzir essas pressões ainda podem mudar a trajetória.
“Não temos o luxo do tempo, mas temos o conhecimento, a capacidade e as soluções para mudar de rumo”, afirmou.
“Acelerar a ação para regressar ao espaço seguro de operação em todos os Limites Planetários é essencial para proteger vidas e meios de subsistência e cumprir a promessa de uma prosperidade futura partilhada.”
Fontes: g1, Euronews.
Foto: Globaia/Potsdam Institute para Climate Impact Research (PIK).


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