Estas 6 medidas podem salvar quase 1,6 milhão de vidas por ano, segundo a OMS

As alterações climáticas expõem populações cada vez maiores aos seus efeitos e aos riscos para a saúde que deles resultam. Calcula-se que 3,6 mil milhões de pessoas vivam em zonas que as tornam altamente suscetíveis às alterações climáticas e ao seu impacto na saúde.

Um novo relatório divulgado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) nesta quarta-feira (4) aponta que a ampliação de seis medidas voltadas à saúde e ao enfrentamento das mudanças climáticas poderia evitar 1,6 milhão de mortes por ano em todo o mundo. A publicação ocorre antes da COP31 (31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), quando os governos devem apresentar seus compromissos climáticos.

De acordo com as projeções, a implementação das iniciativas também poderia evitar a emissão de 16,7 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂), o equivalente a 31% das emissões globais anuais de gases de efeito estufa, excluídas as relacionadas ao uso e à mudança do uso da terra e às florestas. Os benefícios econômicos relacionados ao bem-estar poderiam alcançar US$ 3,9 trilhões (cerca de R$ 21,4 trilhões) por ano, enquanto os ganhos fiscais, ligados às receitas governamentais, chegariam a US$ 5,4 trilhões (R$ 29,7 trilhões) anuais.

“A crise climática é uma crise de saúde. Mas grande parte dos danos que ela causa pode ser evitada com ferramentas que já temos”, afirma Tedros Adhanom, diretor-geral da OMS, em comunicado. “Este relatório mostra que ampliar ações comprovadas e acessíveis pode salvar milhões de vidas, com os maiores benefícios nos países que mais precisam.”

As seis ações são sistemas de alerta para o calor e a saúde, serviços de abastecimento de água potável resilientes ao clima, instalações básicas de saneamento, higiene e lavagem das mãos, combustíveis domésticos mais limpos e tecnologias para cozinhar e aquecer, e políticas de definição de preços dos combustíveis fósseis mais eficazes.

“Reforçar ações comprovadas e acessíveis poderia salvar milhões de vidas, com os maiores ganhos nos países que mais delas precisam”, disse Tedros. “À medida que os governos se preparam para a próxima ronda de negociações climáticas, a proteção da saúde tem de estar no centro da ação climática.”

Sem medidas adicionais, estima-se que alguns riscos climáticos para a saúde, como a subnutrição, a malária, a diarreia e o stress térmico, provoquem 250.000 mortes prematuras por ano entre 2030 e 2050.

Até 2050, as alterações climáticas poderão ainda expor cerca de mais 500 milhões de pessoas em todo o mundo a vetores que transmitem doenças sensíveis ao clima, acrescenta o relatório.

Medidas recomendadas
O relatório reúne seis intervenções prioritárias que envolvem sistemas de saúde, serviços essenciais e políticas energéticas. São elas:

– Implantação de sistemas de alerta relacionados ao calor e à saúde;

– Ampliação de serviços de abastecimento de água potável preparados para enfrentar os impactos das mudanças climáticas;

– Fortalecimento dos serviços básicos de saneamento;

– Expansão do acesso a instalações de higiene e lavagem das mãos;

– Utilização de combustíveis domésticos mais limpos e tecnologias adequadas para cozinhar e aquecer;

– Implementação de políticas eficientes de preços dos combustíveis fósseis.

De acordo com o relatório, a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis traz os maiores benefícios para a saúde, evitando mais de um milhão de mortes prematuras por ano por doenças não transmissíveis, incluindo acidente vascular cerebral, cardiopatia isquêmica, câncer do pulmão, doença pulmonar obstrutiva crónica e asma, bem como acidentes de transportes, ao mesmo tempo que gera 5,4 biliões de dólares em benefícios fiscais por ano.

As medidas buscam antecipar, prevenir e reduzir os riscos à saúde associados às mudanças climáticas. Entre as iniciativas avaliadas, os sistemas de alerta de saúde relacionados ao calor apresentam uma das maiores relações entre custo e benefício. A estimativa é de que cada US$ 1 (R$ 5,5) investido nessa medida gere US$ 835 (R$ 4,59 mil) em benefícios, principalmente pela possibilidade de aproveitar estruturas já existentes e prevenir doenças relacionadas às altas temperaturas.

Projeções consideram cenários ambiciosos

A OMS estima que, em cinco das seis intervenções avaliadas, cada dólar investido poderá gerar US$ 24 (R$ 132) em benefícios. Os retornos tendem a ser ainda maiores nos países de baixa e média renda, contribuindo para diminuir desigualdades econômicas e na área da saúde.

O conjunto das iniciativas representa um triplo benefício: melhorar a saúde da população, reduzir as emissões de gases de efeito estufa e fortalecer a economia. Dessa forma, o relatório reforça que o enfrentamento das mudanças climáticas também deve ser tratado como uma prioridade de saúde pública e desenvolvimento econômico.

A organização ressalta, entretanto, que os resultados são estimativas baseadas em cenários de ampliação ambiciosos. O estudo considera o período de 2024 a 2075 e reconhece limitações, como a disponibilidade ainda restrita de evidências, as incertezas das projeções de longo prazo e a possibilidade de que algumas intervenções não produzam efeitos combinados na modelagem.

Diante dos riscos crescentes associados às mudanças climáticas, a OMS recomenda que governos, instituições financeiras e parceiros de desenvolvimento utilizem essas evidências para ampliar os investimentos em medidas capazes de proteger simultaneamente a saúde da população, o meio ambiente e a economia.

Fontes: Revista Galileu, Euronews, UOL.

Foto: Omar Al-Qattaa/AFP.

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