Andorinhas-de-coleira: espécie em risco crítico de extinção é encontrada em Minas Gerais

Um grupo de aves que corre risco de desaparecer foi encontrada por pesquisadores no rio Paraopeba, que banha o estado de Minas Gerais. A notícia foi recebida de forma esperançosa já que os últimos relatos sobre a espécie tratavam de poucos indivíduos isolados observados em um pequeno trecho de 60 quilômetros nos rios São Francisco e Paranaíba.

“Não havia estudos que demonstrassem a existência de uma população reprodutiva da andorinha-de-coleira no rio Paraopeba e é por isso que os dados obtidos neste monitoramento representam um enorme avanço no conhecimento sobre as populações desta espécie”, destaca o biólogo e especialista em aves, Leonardo Lopes, professor da Universidade Federal de Viçosa.

Conhecida pelos cientistas como Pygochelidon melanoleuca, ela foi descoberta por pesquisadores durante uma expedição de diagnóstico ambiental realizada por especialistas acadêmicos e biólogos da empresa Vale, que averiguavam a existência de eventuais impactos do rompimento da barragem em Brumadinho, em 2019, sobre a população desses animais, o que não foi constatado segundo o comunicado enviado à imprensa.

O monitoramento permitiu, ainda, a documentação, até então inédita, da andorinha-de-coleira em atividade reprodutiva da espécie, que constrói seus ninhos em locais de difícil acesso, como o interior de fendas rochosas ao longo das corredeiras dos rios.

Além do aparato técnico para encontrar as “casas” das andorinhas, como micro câmeras especiais que permitiam observar esconderijos pouco iluminados, o grupo de pesquisa contou com a ajuda e o conhecimento de moradores locais, como o barqueiro, Samuel Santos, um dos guias da expedição. “Conheço bem a região, sou ribeirinho, nascido as margens do rio São Francisco, e gosto de “passarinhar” por aí, sair em busca de pássaros”, disse.

A supervisão da biodiversidade em áreas impactadas e não impactadas pelo rompimento da barragem de Brumadinho é parte do Acordo de Reparação Integral assinado em 2021 pela Vale. Ao todo, são monitorados 35 pontos ao longo do rio Paraopeba para a biodiversidade aquática e 20 áreas para a biodiversidade terrestre.

“Quando monitoramos os locais impactados e não impactados é possível avaliar as condições ambientais de maneira ampla, e como o rompimento pode ou não ter influenciado a ocorrência, riqueza e distribuição da fauna e flora presentes ao longo da bacia do rio Paraopeba”, ressalta Cristiane Cäsar, analista ambiental da Vale.

Fonte: Um só Planeta.

Foto: Afonso Santos/Divulgação.