Até 13 milhões de pessoas poderão estar expostas a inundações costeiras no Reino Unido nos próximos séculos se as mudanças climáticas continuarem elevando o nível do mar. A estimativa faz parte de um estudo publicado na revista Nature Communications e repercutido pelo jornal britânico The Guardian, que alerta para a necessidade de combinar obras de proteção costeira com a retirada planejada de populações de áreas de maior risco.
Segundo a pesquisa, mesmo que os atuais compromissos globais de redução das emissões de gases de efeito estufa sejam cumpridos, cerca de 1,4 milhão de pessoas a mais estarão expostas a inundações costeiras até 2200, número que sobe para 1,7 milhão em 2300. Os impactos são resultado da elevação do nível do mar provocada pelo derretimento das calotas polares e pelo aquecimento dos oceanos.
Os pesquisadores ressaltam, no entanto, que decisões tomadas agora podem reduzir esse risco. De acordo com o estudo, manter o aquecimento global dentro das metas do Acordo de Paris evitaria que cerca de 1 milhão de pessoas fossem expostas a inundações costeiras até 2300.
O nível do mar ao redor do Reino Unido já aumentou aproximadamente 20 centímetros no último século e continua acelerando. Os cientistas consideram inevitável uma elevação adicional de 40 a 60 centímetros até 2100, o que colocaria cerca de 500 mil pessoas a mais em risco de ter suas casas inundadas, além dos 2,5 milhões que já vivem em áreas costeiras vulneráveis. As regiões de Lincolnshire e do estuário de Humber aparecem entre as mais suscetíveis.
O estudo também chama atenção para um cenário mais extremo, considerado pelos autores como um “pior caso plausível”. Caso as grandes camadas de gelo da Groenlândia e da Antártida entrem em um processo de colapso acelerado, em vez de derreterem gradualmente, o nível do mar poderia subir até 15 metros até 2300. Nesse cenário, grandes áreas de Londres e de outras regiões costeiras do Reino Unido seriam inundadas.
Os autores do estudo alertam que planejamentos baseados apenas nas projeções para este século podem subestimar os riscos de longo prazo. “[Planejadores] que consideram apenas as mudanças ao longo do próximo século podem ter uma falsa impressão do verdadeiro cenário de risco, diante do potencial de aceleração da elevação do nível do mar após 2100.”
O estudo conclui que será inevitável combinar novas estruturas de proteção contra enchentes com estratégias de recuo planejado, que consistem na retirada gradual de comunidades de áreas cada vez mais vulneráveis à elevação do mar.
Para Matt Palmer, professor da Universidade de Bristol e autor principal da pesquisa, os efeitos do aquecimento global sobre os oceanos continuarão sendo sentidos por muito tempo. “Os oceanos e as partes cobertas de gelo do planeta respondem muito lentamente ao aquecimento global, o que faz da elevação do nível do mar o ‘gigante adormecido’ das mudanças climáticas. O resultado é que a elevação do nível do mar ficará ‘presa’ no sistema por séculos.”
Rob Larter, pesquisador do British Antarctic Survey que não participou do estudo, afirmou ao The Guardian que a análise mostra a dimensão do desafio de adaptação que o Reino Unido poderá enfrentar. “Ela mostra como o Reino Unido provavelmente terá de se adaptar a vários metros de elevação do nível do mar nos próximos séculos. Os cenários de maior impacto apresentados neste estudo precisam ser considerados possibilidades reais, e não histórias alarmistas improváveis.”
Esta é a primeira pesquisa a estimar quantas pessoas no Reino Unido podem ficar expostas a inundações costeiras considerando cenários de elevação do nível do mar em horizontes de longo prazo. Para isso, os pesquisadores combinaram projeções climáticas com modelos detalhados de inundação costeira, permitindo avaliar como o avanço do oceano pode redesenhar parte do litoral britânico ao longo dos próximos séculos.
Fonte: Um Só Planeta.
Foto: Getty Images.


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