A China está próxima de inaugurar um laboratório geológico profundo para resíduos nucleares, após concluir uma rampa em espiral no Laboratório Subterrâneo de Pesquisa de Beishan, a 560 metros de profundidade, no Deserto de Gobi.
Avanço estratégico para gestão de resíduos nucleares
O Laboratório Subterrâneo de Pesquisa de Beishan foi desenvolvido pela Corporação Nacional Nuclear da China como uma das maiores instalações do gênero, dedicada ao gerenciamento seguro e permanente de resíduos radioativos.
Localizado nas profundezas do Deserto de Gobi, próximo a Jiuquan, na província de Gansu, o laboratório busca enfrentar um dos desafios mais sensíveis associados à expansão da energia nuclear no país.
Segundo Wang Ju, cientista-chefe e projetista principal da CNNC, a energia nuclear permanece altamente eficiente e de baixo carbono, com aproximadamente 99% dos resíduos classificados como baixo ou médio nível.
Esses resíduos, conforme explicado, decaem gradualmente ao longo do tempo até atingirem níveis considerados inofensivos, o que reforça a importância do armazenamento geológico profundo como pilar da segurança nuclear.
Desafio dos resíduos de alta atividade
Wang destacou que o maior desafio permanece no gerenciamento dos resíduos nucleares de alta atividade, que representam cerca de um por cento do total gerado pela energia nuclear.
Esses materiais exigem isolamento seguro por centenas de milhares de anos, demandando soluções geológicas extremamente estáveis e estratégias de longo prazo para evitar riscos ambientais ou humanos.
Cada país, segundo Wang, adota abordagens distintas para a gestão desses resíduos, e o projeto Beishan foi concebido como uma plataforma de cooperação internacional.
A iniciativa permitirá a troca de melhores práticas globais, ao mesmo tempo em que contribui com a experiência e os avanços tecnológicos desenvolvidos pela China nesse campo estratégico.
Escolha do local e décadas de estudos
A identificação de um local adequado para uma instalação geológica profunda foi descrita como tão complexa quanto a própria construção, exigindo formações rochosas vastas, antigas e estruturalmente estáveis.
Após quase três décadas de pesquisas, a China selecionou a região remota de Beishan, em Gansu, reconhecida por sua geologia sólida e condições naturais favoráveis ao armazenamento subterrâneo seguro.
Os estudos começaram em 1996, quando pesquisadores perfuraram cerca de 100 poços para avaliar detalhadamente a estrutura, a composição e a estabilidade da rocha local.
O projeto entrou na fase de execução após aprovação regulatória em 2019, estabelecendo as bases para os marcos avançados de construção atualmente alcançados no laboratório subterrâneo.
Engenharia extrema sob o Deserto de Gobi
A estrutura principal do laboratório inclui um túnel de acesso em espiral, três poços verticais e dois níveis horizontais, alcançando aproximadamente 560 metros abaixo da superfície.
O túnel recém-concluído estende-se por cerca de 7 quilômetros, possui diâmetro de 7 metros e desce com inclinação constante de 10%, impondo desafios técnicos significativos à construção.
A escavação ocorreu em granito extremamente duro, formado há mais de 250 milhões de anos, tornando métodos convencionais ineficazes e aumentando o risco de danos estruturais à rocha.
As curvas acentuadas do túnel levaram ao limite uma máquina perfuradora de 100 metros de comprimento, projetada para operar em condições subterrâneas excepcionais.
Tecnologia desenvolvida para profundidades extremas
Para enfrentar os desafios de segurança e engenharia em grandes profundidades, os engenheiros utilizaram a perfuratriz Beishan nº 1, desenvolvida integralmente na China.
O equipamento foi projetado para perfurar rochas duras e operar com precisão em túneis íngremes e curvos, atendendo às demandas específicas do laboratório subterrâneo. A máquina foi desenvolvida por uma equipe liderada pelo Instituto de Pesquisa de Geologia de Urânio de Pequim, em parceria com a China Railway Construction Heavy Industry Corporation.
Essa combinação de engenharia avançada permitiu à China ampliar os limites da construção subterrânea, consolidando avanços técnicos essenciais para o futuro do gerenciamento nuclear seguro.
Fonte: CPG – Click Petróleo e Gás.
Foto: Reprodução.


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