O muriqui-de-norte (Brachyteles hypoxanthus), a perereca-pintada-do-rio-pomba (Nyctimantis pomba), a rolinha-do-planalto (Columbina cyanopis), o sapinho-da-restinga (Melanophryniscus setiba) e a saíra-apunhalada (Nemosia rourei) estão entre as 100 espécies do mundo escolhidas para fazer parte do Phoenix Species Project – Projeto Fênix das Espécies -, a maior iniciativa global filantrópica dedicada exclusivamente à recuperação de espécies classificadas como ‘criticamente em perigo’ e ‘extintas na natureza‘ pela Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
O lançamento do ambicioso projeto foi feito nesta terça-feira (04/08) pela organização Re:wild, que tem como um dos cofundadores o ator e ambientalista Leonardo DiCaprio, e a Bezos Foundation. Juntas elas se comprometeram com um investimento inicial de US$ 200 milhões, pouco mais de R$ 1 bilhão. A iniciativa conta ainda com a colaboração da IUCN.
As 100 espécies do projeto, que tem no nome uma referência à lenda da mitologia grega, do renascimento das cinzas da fênix, incluem mamíferos, anfíbios, répteis, aves, peixes, invertebrados e plantas de 30 países, que habitam uma variedade de ambientes — de oceanos a lagos de água doce e de florestas tropicais a planícies vulcânicas.
Para conseguir atingir o objetivo de tirar essas espécies da beira da extinção, o projeto contará com o trabalho de mais de 100 parceiros internacionais, incluindo governos, comunidades e organizações locais, além de populações indígenas.
Conservação da vida na Terra
Entre as estratégias de recuperação dessas espécies estão programas de reprodução em cativeiro, translocações, controle de espécies invasoras e restauração de habitats.
“Há décadas, cientistas, povos indígenas, comunidades locais e líderes da conservação estão na linha de frente da proteção da natureza; o que as pesquisas deixaram claro é que as espécies à beira da extinção são, muitas vezes, aquelas que sustentam alguns dos ecossistemas mais importantes do mundo”, destaca DiCaprio. “Ao proteger essas espécies, também protegemos as florestas, as áreas úmidas, as savanas e os oceanos dos quais elas dependem.
O ambientalista acredita que o Phoenix Species Project tem o potencial de transformar os esforços de conservação em escala global. “Temos a oportunidade de gerar um impacto duradouro onde ele é mais necessário. O objetivo é que o projeto se torne um movimento mundial que inspire outras pessoas a investir na natureza e a ajudar a proteger o nosso planeta.”
Das quase 176 mil espécies avaliadas na Lista Vermelha da IUCN, mais de 31 mil estão classificadas como ‘em perigo, ‘criticamente em perigo’ ou ‘extintas na natureza.’
“Conservar espécies ou a biodiversidade equivale a conservar a vida na Terra. Povos indígenas, comunidades locais, cientistas e conservacionistas sabem disso. O investimento sem precedentes que o Phoenix Species Project está aplicando para salvar a vida ajudará dezenas de espécies — desde as criticamente ameaçadas até as extintas na natureza que enfrentam extinção iminente”, diz Vivek Menon, presidente da Comissão de Sobrevivência de Espécies da IUCN.
Conheças as espécies brasileiras do Phoenix Species Project
Muriqui-do-Norte
Espécie endêmica da Mata Atlântica brasileira, o muriqui-do-norte só é encontrado neste bioma brasileiro e em nenhum outro lugar do mundo.
Devido à destruição e fragmentação de seu habitat em florestas da Bahia, Rio de Janeiro e Minas, e da perda de diversidade genética, esse primata é considerado ‘criticamente ameaçado’, ou seja, um estágio antes de desaparecer da natureza.
Estima-se que hoje restem menos de 900 indivíduos em vida livre.
Perereca-Pintada-do-Rio-Pomba
Medindo no máximo 8 cm e pesando menos de 20 gramas, a perereca-pintada-do-rio-pomba está entre os anfíbios mais ameaçados do Brasil. Classificada também como ‘criticamente ameaçada’, estima-se que existem apenas 50 delas em vida livre, em uma única região de Cataguases, na Zona da Mata Mineira.
Mas excelentes resultados têm sido obtidos com a reprodução em cativeiro. Somente em 2026, já foram registrados mais de 500 nascimentos no Departamento de Conservação da Fauna Silvestre (CECFau) da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do estado de São Paulo.
Rolinha-do-Planalto
Espécie nativa do Cerrado, a rolinha-do-planalto ficou desaparecida da natureza por 75 anos, até ter sido redescoberta em 2015, pelo biólogo Rafael Bessa, em Botumirim, na Serra do Espinhaço, no norte de Minas Gerais.
Apesar disso, ela continua classificada como ‘criticamente ameaçada’. De acordo com o último censo, realizado em 2025, foram observadas apenas onze dessas aves em seu habitat natural.
Esforços têm sido feitos para produzir uma população de segurança em cativeiro, e no ano passado, biólogos celebraram o nascimento do primeiro filhote da espécie, no Parque das Aves, no Paraná.
Sapinho-da-Restinga
Pouco se sabe sobre esse minúsculo sapinho, medindo entre 15 e 20 milímetros de comprimento, e que tem como único habitat a vegetação de restinga do Parque Estadual Paulo César Vinha, em Guarapari, no Espírito Santo, uma área ameaçada pela expansão imobiliária e o turismo.
Não se tem ideia do tamanho da população da espécie, classificada como ‘criticamente ameaçada’ pela IUCN.
Saíra-Apunhalada
Durante mais de um século, a saíra-apunhalada permaneceu conhecida por um único exemplar, capturado em 1870, em Minas Gerais, e enviado para o Museu de História Natural de Berlim. Sua característica mais marcante é a mancha de cor vermelho sangue, no meio do peito branco, de onde se originou seu nome popular.
Endêmica da Mata Atlântica, por muito tempo acreditou-se que a saíra-apunhalada tinha sido extinta, contudo, em 1990, cinco indivíduos foram redescobertos no Espírito Santo.
Mas graças ao trabalho de conservacionistas, pouco a pouco essa minúscula população apresenta crescimento. Hoje o total de aves chega a 20, divididos em dois grupos que vivem na região serrana capixaba.
Fonte: Conexão Planeta.
Foto: João Linhares / divulgação Phoenix Species Project.


Seja o primeiro