Desmatamento caiu na Amazônia e no Cerrado em 2025, mas biomas ainda perderam ‘6 cidades de São Paulo’

O Brasil encerrou 2025 com um novo sinal de avanço na proteção ambiental. Pelo segundo ano consecutivo, os alertas de desmatamento diminuíram na Amazônia e no Cerrado, os dois maiores biomas do país, reforçando a tendência de retração observada desde a retomada de políticas federais voltadas ao combate à devastação florestal.

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (9), com base no sistema Deter, do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). O levantamento mostra que, no ano passado, a área sob alerta de desmatamento caiu 8,7% na Amazônia e 9% no Cerrado em comparação com 2024, consolidando o segundo ano seguido de redução em ambas as regiões.

O Deter é um sistema de monitoramento em tempo quase real que identifica áreas com indícios de desmate e degradação florestal, servindo como ferramenta de apoio às ações de fiscalização do IBAMA e de outros órgãos ambientais. Por se tratar de alertas preliminares, os números não substituem os dados consolidados do PRODES, também do INPE, que são divulgados anualmente e considerados o balanço oficial do desmatamento.

Este foi o segundo ano consecutivo em que houve queda no desmate em ambas as regiões. Ainda assim, o estrago foi grande: somando os dois biomas, o total de vegetação perdida no ano passado foi de 9.186 km² — o equivalente a seis vezes a área da cidade de São Paulo.

O ritmo de queda nas áreas sob alerta de desmate na floresta amazônica vem desacelerando. Partindo de patamares altíssimos — de mais de 10 mil km² em 2022— deixados pela gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2023 o índice caiu pela metade. Já em 2024, a redução foi de 19%.

Procurado, o MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima) afirma, em nota, que a desaceleração observada em parte de 2024 está associada à seca extrema, que elevou os índices de degradação florestal, especialmente em razão dos incêndios florestais. “Ainda assim, a tendência de queda do desmatamento foi mantida”, diz a pasta.

“A partir de agosto de 2025, início de um novo ciclo de monitoramento, os alertas do Deter ficaram abaixo dos registrados no mesmo período do ano anterior, indicando a continuidade da redução. Esse resultado reflete a ampliação contínua, pelo governo do Brasil, das ações de prevenção e combate ao desmatamento e aos incêndios florestais, com atuação interministerial e de órgãos federais”.

Mato Grosso respondeu por quase metade da área desmatada na Amazônia, 1.497 km². Terceiro maior índice da série histórica, iniciada em 2015, o valor representa um aumento de quase 60% em relação a 2024.

Pará (979 km²) e Amazonas (721 km²) também se destacam na região. Apesar do patamar alto, porém, ambos tiveram melhoras nos números, com redução de 36% e 9% do desmatamento, respectivamente.

Na avaliação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), os resultados confirmam a continuidade de uma política ambiental mais ativa. Em nota, a pasta afirma que “a partir de agosto de 2025, início de um novo ciclo de monitoramento, os alertas do Deter ficaram abaixo dos registrados no mesmo período do ano anterior, indicando a continuidade da redução”. O ministério acrescenta que o desempenho reflete “a ampliação contínua, pelo governo do Brasil, das ações de prevenção e combate ao desmatamento e aos incêndios florestais, com atuação interministerial e de órgãos federais”.

Segundo o MMA, a estratégia inclui o reforço da fiscalização, a retomada e aceleração dos investimentos do Fundo Amazônia — que somaram R$ 3,6 bilhões aplicados nos últimos três anos —, além do programa União com Municípios, que prevê R$ 785 milhões para iniciativas de desenvolvimento sustentável em 81 municípios amazônicos.

Apesar dos avanços, os dados também revelam desafios persistentes. Somadas, as áreas sob alerta de desmatamento na Amazônia e no Cerrado totalizaram 9.186 km² em 2025. No caso do Cerrado, que já teve mais da metade de sua vegetação original suprimida, os índices seguem elevados em termos absolutos.

Fontes: Brasil 247, Folha SP, Um Só Planeta.

Foto: Toninho Tavares/Agência Brasília.

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