Elefantes estão comendo muito plástico em região da Índia

Alguns elefantes asiáticos são um pouco tímidos sobre seus hábitos alimentares. Eles se infiltram em depósitos de lixo perto de assentamentos humanos nas bordas de seus habitats florestais e rapidamente devoram o lixo, utensílios de plástico, embalagens e tudo mais. Mas seu prazer culpado por “fast food” está viajando com eles; os elefantes estão transportando plástico e outros resíduos humanos para as florestas em certas partes da Índia.

“Quando eles defecam, o plástico sai do esterco e é depositado na floresta”, disse Gitanjali Katlam, pesquisadora ecológica na Índia.

Embora tenham sido feitas muitas pesquisas sobre a disseminação de plásticos com a poluição humana nos oceanos do mundo, muito menos se sabe sobre como esses resíduos se deslocam com a vida silvestre em terra.

Os elefantes são importantes dispersores de sementes, e uma pesquisa publicada este mês no Journal for Nature Conservation mostra que o mesmo processo que mantém os ecossistemas funcionando pode levar poluentes produzidos pelo homem para parques nacionais e outras áreas. Esse plástico pode ter efeitos negativos na saúde de elefantes e outras espécies que consomem o material depois de passar pelo sistema digestivo dos grandes mamíferos.

Katlam notou pela primeira vez elefantes se alimentando de lixo com câmeras de vigilância durante seu trabalho de doutorado na Universidade Jawaharlal Nehru. Ela estava estudando quais animais visitavam lixões nos arredores de vilarejos no norte da Índia. Na época, ela e seus colegas também notaram plástico no esterco dos elefantes. Com a Nature Science Initiative, organização sem fins lucrativos focada em pesquisas ecológicas no norte da Índia, Katlam e seus colegas coletaram esterco de elefante no estado de Uttarakhand.

Os pesquisadores encontraram plástico em todo o esterco perto de lixões de vilarejos e na floresta perto da cidade de Kotdwar. Eles caminharam apenas 1,5 a 3 quilômetros na floresta à procura de esterco, mas os elefantes provavelmente levaram o plástico muito mais longe, disse Katlam. Os elefantes asiáticos levam cerca de 50 horas para fazer a digestão e podem andar de 10 a 20 quilômetros em um dia. No caso de Kotdwar, isso é preocupante porque a cidade fica a poucos quilômetros de um parque nacional.

“Isso acrescenta evidências ao fato de que a poluição plástica é onipresente”, disse Agustina Malizia, pesquisadora independente do Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Técnica da Argentina, que não participou dessa pesquisa, mas estudou os efeitos do plástico nos ecossistemas terrestres. Ela disse que o estudo é “extremamente necessário”, pois pode ser um dos primeiros relatos de um animal terrestre de grande porte ingerindo plástico.

O plástico constituía 85% dos resíduos encontrados no esterco de elefantes em Kotdwar. A maior parte dele vinha de recipientes de alimentos e talheres, seguidos por sacolas plásticas e embalagens. Mas os pesquisadores também encontraram vidro, borracha, tecido e outros resíduos. Katlam disse que os elefantes provavelmente procuravam recipientes e sacolas plásticas porque ainda podiam conter restos de comida. Os talheres provavelmente foram comidos no processo.

Enquanto o lixo passa por seus sistemas digestivos, os elefantes podem estar ingerindo produtos químicos como poliestireno, polietileno, bisfenol A e ftalatos. O dano que essas substâncias podem causar é incerto, mas Katlam teme que elas contribuam para a redução da população de elefantes e das taxas de sobrevivência.

“Sabe-se de outros animais cujos estômagos podem ficar cheios de plástico, causando danos mecânicos”, disse Carolina Monmany Garzia, que trabalha com Malizia na Argentina e não participou do estudo de Katlam.

Outros animais podem consumir o plástico novamente, uma vez que é transportado para a floresta através do esterco dos elefantes. “Tem um efeito cascata”, disse Katlam.

Katlam disse que os governos da Índia devem tomar medidas para gerenciar seus resíduos sólidos e evitar esses tipos de problemas. Mas os indivíduos também podem ajudar, separando seus restos de comida dos recipientes para que o plástico não acabe sendo comido por acidente.

“Este é um passo muito simples, mas muito importante”, afirmou ela.

“Precisamos perceber e entender como o uso excessivo de plásticos está afetando o meio ambiente e os organismos que os habitam”, disse Malizia.

Fonte: New York Times, Folha SP.

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