Guardiões da Terra: conheça povos indígenas e comunidades tradicionais que lutam para proteger a natureza e a biodiversidade

São os povos indígenas e as comunidades tradicionais os responsáveis por manter a biodiversidade protegida e os que colocam as suas vidas em risco para que a natureza, da qual dependem, não seja ameaçada.

Para se ter ideia, de acordo com o monitoramento do MapBiomas, o desmatamento em Terras Indígenas foi de apenas 1,6% em 30 anos. Ao protegerem a riqueza natural, preservam suas tradições, línguas e culturas, fazendo do mundo um lugar tão magnífico em termos de sociobiodiversidade.

Enquanto no Brasil os povos indígenas são associados à floresta, há populações tradicionais que habitam o Ártico, por exemplo, e dependem da existência de gelo e neve para manterem seus modos de vida.

Na África, a mudança do clima vai intensificar as situações extremas que já fazem parte do dia a dia da população. Em meio às questões ambientais, os direitos humanos são ameaçados: meninas ficam expostas à violência sexual pela escassez de alimentos e por condições mínimas de sobrevivência.

Apesar de as culturas em diferentes países e regiões serem extremamente distintas, um ponto permanece em comum: falta reconhecer esses povos pelo serviço que prestam para toda a sociedade.

Yanomami – Brasil/ Venezuela

A Terra Indígena Yanomami completou 30 anos em 2022 com um triste recorde: em um ano, a devastação ambiental e a violência causadas pelo garimpo ilegal cresceram 46%, de acordo com um relatório da Hutukara Associação Yanomami. Nos últimos anos, o garimpo ilegal cresceu de forma exponencial: estima-se a presença de 20 mil garimpeiros no território. Em contraponto ao garimpo ilegal, a produção de cacau levou à criação do Chocolate Yanomami, vinculado à marca De Mendes. O produto gera renda para cerca de dez comunidades ameaçadas pela exploração de ouro irregular.

Aborígenes – Austrália

A sociedade mais antiga do mundo, depois da África, pode ser a que ocupou a Austrália – os aborígenes australianos teriam migrado do continente africano há mais de 70 mil anos. Eles dividem-se em dois grupos principais: aqueles que habitavam o país quando britânicos colonizaram a ilha, em 1788, e os povos das Ilhas do Estreito de Torres, localizadas entre a Austrália e a Nova Guiné. A luta pelo reconhecimento de seus territórios atravessa a contemporaneidade.

Apache – Estados Unidos

Lembrados como guerreiros do sudoeste dos Estados Unidos, os povos conhecidos como Apache sempre tiveram uma relação profunda com a terra. Mesmo tendo fama de nômades, eles plantavam, caçavam e criavam animais para subsistência ou para ter meios de troca por outros produtos. Ao longo de décadas, entraram em conflito com os colonizadores espanhóis e as paraças militares dos Estados Unidos. As disputas estavam relacionadas com o poder sobre as terras: seus territórios permitiriam a exploração de ​ouro, prata e carvão. A luta persiste. No estado do Arizona, uma das maiores reservas intocadas de cobre, localizada no território sagrado para os indígenas, está no centro da disputa com uma mineradora.

Inuit – Ártico

Para quem tem o gelo e a neve como parte de sua cultura, o aumento da temperatura do planeta passa a ser visível como um conta-gotas. Os inuits, que vivem nas regiões do Ártico, percebem a mudança do clima com o literal desaparecimento de seus territórios e do conhecimento de gerações por causa do aquecimento global. Estima-se que cerca de 150 mil inuits vivam no Canadá, na Groenlândia, na Dinamarca e no Alasca.

Kayapó – Brasil

Os kayapós estiveram entre os primeiros a mobilizar interesse internacional pela preservação da biodiversidade brasileira nos anos 1980 e 1990, com o apoio de celebridades como o cantor Sting. A etnia ocupa áreas nos estados do Pará e do Mato Grosso, próximas a afluentes do rio Xingu.

Maasai – Quênia/Tanzânia

A dança é uma parte importante da tradição dos Maasai, que habitam as regiões do Quênia e da Tanzânia – o adumu, conhecido como a “dança do salto”, representa uma competição entre jovens guerreiros. Entre esse povo, a mudança do clima tem efeitos dramáticos: as secas prolongadas levaram famílias a situações desesperadoras de fome

Maia – México e América Central

O planeta passou por mudanças do clima em diferentes períodos geológicos – o declínio do povo Maia pode ter sido impulsionado por uma dessas alterações. É o que diz uma teoria de arqueólogos do início do século 20, enquanto em 1970 era amplamente aceito que as terras maias haviam sido densamente povoadas e desenvolvidas. Essa cultura é reconhecida por ter desenvolvido uma das civilizações mais avançadas das Américas.

Samburu – Quênia

O povo Samburu é conhecido por ser muito tradicional e por ainda manter costumes antigos. A criação de animais, como gado, cabras, ovelhas e camelos, desempenha um papel vital no modo de vida e cultura Samburu. Eles são altamente dependentes da criação de animais para sobreviver, o que faz com que sejam igualmente dependentes das condições climáticas ideais para essa produção.

Sami – Noruega, Suécia, Finlândia e península de Kola, na Rússia

A criação de renas é uma tradição na cultura Sami desde o século 17, e ela depende da cobertura de neve para ser bem-sucedida. A prática faz parte da cultura desse povo, que se adaptou para aproveitar todas as partes do animal: a carne é alimento, o couro é usado na confecção de roupas e, no passado, os animais também poderiam ser usados como moeda de troca. Atualmente, há cerca de 80 mil samis espalhados em áreas da Noruega, Suécia, Finlândia e Rússia

Xavante – Brasil

Os xavantes habitam a zona central do Cerrado do Brasil, um dos biomas mais ameaçados pelo agronegócio. De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre agosto de 2020 e julho de 2021 o desmatamento no bioma aumentou 7,9%. Os xavantes têm tradicionais atividades cerimoniais e esportivas e são ávidos futebolistas.

Fonte: Um só Planeta.

Foto: Getty Images.