Impacto de meteoroide revela gelo abaixo da superfície de Marte

A Nasa, agência espacial dos Estados Unidos, divulgou nesta quinta-feira (27) imagens de uma cratera formada após um impacto de um meteoroide na superfície de Marte, que acabou revelando gelo abaixo da superfície do Planeta Vermelho. O material foi publicado no jornal científico Science.

De acordo com os cientistas, o tamanho da cavidade é 10 vezes maior do que as que costumam ser encontradas no planeta, e o meteoroide, provavelmente, tinha cerca de 5 a 12 metros de largura. As estimativas indicam que a cratera tenha 150 metros de diâmetro e 21 metros de profundidade (o equivalente a um prédio de aproximadamente sete andares). Parte do material ejetado pelo impacto voou até 37 quilômetros de distância, segundo a Nasa.

Além disso, o impacto gerou um tremor de magnitude 4. Segundo explicaram os pesquisadores, na Terra, isso equivale a um terremoto que poderia ser sentido, mas que não causaria muitos danos, porém Marte é um planeta com pouca atividade sísmica.

A agência conseguiu, então, captar os dados sísmicos com o lander InSight e captar imagens do local do impacto com um satélite. Os cientistas consideram um registro raro, que pode ser visto novamente apenas em “décadas ou gerações”.

A queda do meteoroide aconteceu em 24 de dezembro de 2021, mas os dados foram divulgados para o público nesta quinta. Os cientistas localizaram a cratera em fevereiro deste ano, e classificaram o impacto como um dos maiores desde que começaram a explorar Marte.

Conforme explicou a Nasa em coletiva de imprensa, esses corpos celestes atingem o planeta “o tempo inteiro”, mas um evento do tamanho ao registrado neste caso é algo raro.

Gelo na superfície

Os pesquisadores mostraram empolgação com a revelação de gelo após o impacto. Eles destacaram que já encontraram a água congelada outras vezes, mas o fato de o meteoroide ter “escavado” mais da superfície é animador.

Além disso, foi o local mais próximo da “linha do Equador” de Marte em que foi encontrado gelo.

Segundo destacaram os pesquisadores, além de informações sobre o planeta, essa descoberta é importante para planejamento de exploração espacial, podendo ser, futuramente, até utilizado por astronautas, sendo transformado em água, oxigênio, entre outros elementos.

Durante a coletiva, os cientistas foram perguntados se o gelo não teria sido levado pelo meteoroide. Eles explicaram que as evidências indicam que, pela grandeza do impacto, não é esperado que muito material do corpo celeste “sobrasse” na superfície.

Fim da missão InSight

O robô na superfície que captou o impacto do meteoroide faz parte da missão InSight. Ela foi lançada em 5 de maio de 2018 e pousou no Planeta Vermelho em 26 de novembro do mesmo ano.

Porém, após quatro anos, a exploração está perto do fim. Devido ao acúmulo de poeira nos painéis solares, o robô está com dificuldades de operar, ficando o máximo de tempo possível inoperante para guardar energia.

Os cientistas da Nasa estimam que entre quatro e oito semanas não haverá mais energia suficiente para que ele permaneça ligado.

Ainda assim, classificaram a missão como um “imenso sucesso”, que ultrapassou desafios como o próprio solo do planeta.

Desde o pouso em novembro de 2018, o InSight detectou 1.318 atividades sísmicas, incluindo várias causadas por impactos de meteoroides menores.

Fonte: CNN.

Foto: NASA/JPL-Caltech/University of Arizona.