Há 240 candidatos às eleições de 2026 com multas no Ibama. É o que revela o levantamento feito pela Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente (Ascema Nacional) publicado na segunda-feira (31), que identificou 524 autos de infração registrados nos CPFs dos candidatos. O grupo representa cerca de 1,16% das 20.653 candidaturas analisadas pela entidade e somam R$ 213,5 milhões em multas.
O estudo foi feito a partir do cruzamento, por CPF, da base de candidaturas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com registros de autuações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Segundo a Ascema, o resultado aponta para um potencial conflito de interesses, já que parte dos candidatos concorre a cargos legislativos com influência sobre orçamento, normas e fiscalização dos próprios órgãos ambientais responsáveis pelas autuações.
Os estados das regiões Norte e Centro-Oeste concentram a maior parte dos casos. Tocantins lidera em número de candidatos autuados, com 20, enquanto o Pará reúne o maior número de autos de infração, 59. Em valores, Goiás aparece em primeiro lugar, com R$ 67,6 milhões em multas, seguido por Roraima, com R$ 55,6 milhões. Para a Ascema, a concentração nessas regiões está relacionada à expansão das fronteiras agrícola, mineral e madeireira, onde atividades econômicas estão mais sujeitas à fiscalização ambiental.
Principais multados concorrem ao legislativo estadual
Entre os cargos, candidatos a deputado estadual são maioria: 119 aparecem com autuações, somando R$ 129,7 milhões em multas. Na sequência estão os candidatos a deputado federal. O levantamento também destaca os nove candidatos a 1º suplente acumulam R$ 10,9 milhões em multas, valor superior ao registrado pelo conjunto dos candidatos ao Senado. Por partido, PL, MDB e Podemos têm o maior número absoluto de candidatos autuados. Já Mobiliza e Democracia Cristã (DC) concentram os maiores valores, com R$ 67,1 milhões e R$ 54 milhões, respectivamente.
A Ascema ressalta que a presença de um auto de infração não significa, por si só, irregularidade na candidatura ou condenação definitiva. O levantamento considerou apenas autos válidos do Ibama e do ICMBio, excluindo registros cancelados ou anulados, além de infrações atribuídas a empresas das quais os candidatos sejam sócios ou proprietários. Os valores correspondem às multas registradas no momento da lavratura, sem correção monetária.
“A disponibilização dos dados cumpre uma função democrática de dar transparência ao histórico de autuações ambientais dos candidatos, fornecendo subsídios para que a imprensa, os órgãos de controle e os eleitores avaliem detalhadamente quem terá o poder de ditar os rumos da preservação ambiental no país”, diz o analista ambiental Wallace Lopes, autor do relatório.
Fonte: ((o))eco.
Foto: Zack/Ibama.


Seja o primeiro