Os lucros da petroleira estatal da Noruega, a Equinor, quase dobraram no segundo trimestre deste ano, impulsionados pela alta dos preços do petróleo e do gás em meio ao conflito entre Israel, Estados Unidos e Irã. O resultado, destacado pelo jornal britânico The Guardian, reacende o debate sobre o papel das empresas de combustíveis fósseis em um momento em que governos afirmam buscar acelerar a transição para fontes de energia de menor emissão de carbono.
A Equinor registrou lucro ajustado de US$ 11,5 bilhões entre abril e junho, ante US$ 6,5 bilhões no mesmo período de 2025. O desempenho foi impulsionado pelo aumento da produção de petróleo e gás no início da guerra, quando a quase interrupção da navegação pelo Estreito de Hormuz reduziu o fluxo de petróleo do Golfo Pérsico e pressionou os preços internacionais da commodity.
Segundo o The Guardian, a companhia aproveitou o aumento da demanda para ampliar sua produção, enquanto o preço do barril do petróleo Brent oscilou entre US$ 75 e mais de US$ 100 ao longo do trimestre. Nesta quarta-feira (22), o Brent voltou a subir e chegou a US$ 95 por barril antes de recuar para US$ 94, refletindo a retomada das hostilidades na região.
“A forte produção no segundo trimestre nos permitiu capturar valor com os preços mais altos, contribuindo para um forte fluxo de caixa e resultados financeiros”, afirmou o presidente-executivo da Equinor, Anders Opedal. O executivo acrescentou que “energia confiável é importante em um mundo volátil marcado pelo aumento das tensões geopolíticas” e disse que o papel da empresa é fornecer energia “de forma segura e eficiente”.
O resultado financeiro, porém, foi alvo de críticas de organizações ambientalistas. A diretora executiva da Uplift, Tessa Khan, afirmou ao The Guardian que a empresa está “acumulando bilhões em lucros enquanto milhões de pessoas no Reino Unido enfrentam contas de energia impagáveis”.
A organização também criticou a atuação da Equinor em defesa da exploração do campo de petróleo de Rosebank, nas Ilhas Shetland. Segundo Khan, o projeto “não reduzirá nossas contas de energia — a maior parte do petróleo será destinada à exportação —, mas tornará a Equinor e seu coproprietário, o governo da Noruega, ainda mais ricos”.
Para a Uplift, o governo britânico deveria priorizar investimentos em energias renováveis em vez de autorizar novos projetos de exploração de petróleo.
A divulgação do balanço ocorreu em meio à nova escalada do conflito no Oriente Médio. Os Estados Unidos realizaram a 11ª noite consecutiva de ataques contra alvos no Irã, enquanto os houthis anunciaram um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, ampliando as preocupações com a oferta global de petróleo.
Segundo Susannah Streeter, estrategista-chefe da plataforma Wealth Club, “os riscos para a oferta voltaram a aumentar”, mantendo pressão sobre os preços internacionais da commodity.
Fonte: Um Só Planeta.
Foto: Getty Images.


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