O que é urbanismo verde?

O urbanismo verde (green urbanism) é uma abordagem ao planejamento urbano que cria cidades ecologicamente compatíveis, reduzindo o lixo e as emissões, promovendo a criação de espaços verdes, utilizando materiais de construção sustentáveis e incentivando a mobilidade elétrica.

O urbanismo verde visa reduzir ao máximo o uso de energia, água e materiais em todas as fases do ciclo de vida de uma cidade ou bairro. Essa abordagem inclui a redução da chamada “energia intrínseca”, que é a energia necessária para a extração e o transporte de materiais, sua fabricação e montagem em edifícios.

Exige também garantir que os edifícios sejam fáceis de desmontar e tenham um alto valor de reciclagem no final de sua vida útil, bem como manter ao mínimo a energia necessária para o funcionamento de edifícios e bairros, por exemplo, em termos de energia para aquecimento, refrigeração e iluminação.

Mas o urbanismo verde não diz respeito apenas ao ambiente construído, promove também a sustentabilidade social e comunidades saudáveis. A atenção das iniciativas deve concentrar-se ao nível dos bairros e distritos, favorecendo a criação de espaços verdes públicos, como parques, e a requalificação de áreas urbanas abandonadas, em vez de novos projetos em terrenos edificáveis.

Os projetos de requalificação do urbanismo verde mais bem-sucedidos são aqueles em áreas já bem integradas em uma cidade, como os localizados próximos a áreas construídas existentes e centros de transporte.

Benefícios e impactos positivos

Mais da metade da população mundial vive em cidades — um número em rápido crescimento. A maioria delas não se adaptou com sucesso para acolher todos esses novos residentes. Expansão urbana descontrolada, poluição e mobilidade deficiente são apenas algumas das consequências.

O urbanismo verde se encarrega desses desafios, promovendo soluções que combatem os efeitos negativos do desenvolvimento urbano e, ao mesmo tempo, geram inúmeros benefícios, entre os quais:

Mitigar as mudanças climáticas. Ao aumentar as áreas verdes nos centros urbanos, o urbanismo verde reforça a capacidade de absorção das emissões das cidades, contribuindo para reduzir significativamente as temperaturas urbanas.

Ajudar a promover o bem-estar e a boa saúde. Criar espaços verdes nas cidades ajuda a melhorar o bem-estar da comunidade. A investigação científica demonstrou que as pessoas que vivem perto de áreas verdes são física e socialmente mais ativas, mais saudáveis e mais felizes do que as que não vivem.

Reduz o estresse, contribuindo também para a saúde das pessoas. Ao adotar novas abordagens para o transporte urbano — incluindo a promoção de alternativas públicas, mobilidade elétrica, ciclismo e caminhada —, o urbanismo verde ajuda a reduzir o ruído e a poluição atmosférica, fatores-chave do estresse.

– Reduzir as emissões dos transportes. Ao incentivar o desenvolvimento da produção alimentar local, o urbanismo verde ajuda a reduzir a necessidade de transportar alimentos por longas distâncias, o que normalmente gera quantidades significativas de emissões de gases com efeito de estufa.

Promover a inclusão social, criando espaços de encontro, socialização e lazer.

Melhorar o valor imobiliário. Estudos demonstraram que o valor dos edifícios e apartamentos situados perto de espaços verdes é superior ao dos que estão longe.

Favorecendo a integração. O urbanismo verde promove espaços residenciais e comerciais com diversos destinos de uso que reúnem pessoas de diferentes origens econômicas e profissionais, o que ajuda a promover comunidades vibrantes.

Reduzindo o desperdício e promovendo a energia limpa. Com foco na sustentabilidade, o urbanismo verde promove iniciativas — como a reciclagem — que reduzem a produção de resíduos, ao mesmo tempo que favorecem a eficiência energética dos edifícios (também através da requalificação do patrimônio existente) e o uso — além da produção — de energia renovável, levando a um ar mais limpo nas cidades.

Os 15 princípios do urbanismo verde
De acordo com Steffen Lehmann, existe um conjunto amplamente compartilhado de 15 princípios para o urbanismo verde. Uma abordagem bem-sucedida para a criação de cidades sustentáveis leva em consideração muitos — mas não necessariamente todos — dos 15 princípios.

– Clima e contexto. O primeiro princípio refere-se à necessidade de compreender as condições climáticas e as restrições únicas de cada lugar, como a orientação, a direção do vento predominante e a topografia, para poder, por exemplo, orientar os edifícios de forma a obterem a máxima quantidade de radiação solar.

– Energias renováveis para atingir emissões zero de CO. As cidades sustentáveis devem se tornar autossuficientes em termos de produção de energia e promover a energia renovável — como solar, eólica e biomassa — em substituição aos combustíveis fósseis. Além disso, as cidades devem buscar uma distribuição descentralizada de energia para que os usuários também possam se tornar produtores.

– Cidades sem resíduos (Zero-Waste). Para serem verdadeiramente sustentáveis, as cidades devem operar de forma circular, em circuito fechado, evitando a criação de resíduos, por exemplo, promovendo a reciclagem e a compostagem e, quando isso falhar, transformando os resíduos em um recurso.

– Água. O urbanismo verde exige que as cidades operem em sistemas fechados de gestão hídrica urbana que garantam alta qualidade da água e pouco desperdício. O consumo de água deve ser reduzido, enquanto a gestão da água da chuva e os sistemas de drenagem devem ser otimizados.

– Paisagens, jardins e biodiversidade urbana. As cidades sustentáveis utilizam paisagens, jardins urbanos e telhados para maximizar a biodiversidade local. O esverdeamento dos telhados e dos espaços urbanos ajuda a combater o aumento das ilhas urbanas de calor — áreas em que as temperaturas excedem as das áreas circundantes — e os espaços verdes, como os parques, melhoram o bem-estar físico e mental dos residentes.

Transporte sustentável e bons espaços públicos: cidades compactas e policêntricas. Para ser sustentável, uma cidade deve reduzir a mobilidade privada em favor do transporte público, bem como caminhadas, ciclismo e outras atividades físicas benéficas para a saúde. O setor de transportes, por si só, gera cerca de 20% das emissões de gases de efeito estufa.

Materiais locais e sustentáveis com menos energia incorporada. Este princípio exige a construção com materiais de origem local e regional com menos energia incorporada. O objetivo é encurtar a cadeia de abastecimento para o setor da construção e apostar em materiais de baixo impacto ambiental e reciclados, bem como na redução de resíduos.

Densidade urbana e requalificação de bairros existentes. O urbanismo verde incentiva a modernização de edifícios e bairros mais antigos, a fim de manter as pessoas nos centros urbanos e limitar o desenvolvimento de terrenos edificáveis, que são destrutivos para a natureza. As estratégias de construção devem se concentrar em um design compacto — desenvolvendo-se verticalmente em vez de horizontalmente — e promovendo a eficiência energética.

Edifícios e bairros verdes, utilizando os princípios do design passivo. O objetivo é garantir a aplicação do design passivo na construção civil. Design passivo significa aproveitar a luz natural, o calor e os movimentos do ar para criar interiores confortáveis, minimizando o consumo de energia para, por exemplo, iluminar, aquecer e refrigerar os edifícios.

Habitabilidade, comunidades saudáveis e programas de uso misto. O urbanismo verde requer a criação de comunidades vibrantes, integradas e coesas, que podem ser realizadas através de soluções como moradias a preços acessíveis e empreendimentos de uso misto, que criam as condições para uma maior sustentabilidade social e inclusão social, contribuindo para repovoar os centros urbanos.

Alimentos locais e cadeias de abastecimento curtas. As cidades sustentáveis devem garantir terrenos adequados para a produção local de alimentos, com especial atenção à agricultura e ao cultivo urbano, juntamente com iniciativas de alimentação local e “slow food”. O encurtamento das cadeias de abastecimento alimentar reduz a necessidade de logística, diminuindo as emissões de CO₂ e poluentes.

Patrimônio cultural, identidade e senso de lugar. A fim de apoiar a saúde, a segurança e as atividades de seus residentes, as cidades devem desenvolver projetos gerais que equilibrem o patrimônio com a conservação e o desenvolvimento, incentivando, ao mesmo tempo, um senso de caráter/identidade e lugar únicos.

Melhoria da administração urbana, liderança e “melhores práticas”. Para ser sustentável, uma cidade deve ativar e utilizar redes e competências que envolvam a comunidade local e as principais partes interessadas. A mudança deve ser harmoniosa e o processo de tomada de decisão compartilhado entre as autoridades e os cidadãos.

Educação, pesquisa e conhecimento. Para serem sustentáveis, as cidades devem investir em educação, bem como em formação técnica e melhoria de competências para empregos verdes, e ainda promover o design sustentável. As escolas primárias e secundárias precisam desenvolver programas para ensinar às crianças comportamentos sustentáveis.

Estratégias para cidades em países em desenvolvimento. Para promover a sustentabilidade nos países em desenvolvimento, são necessárias estratégias pontuais para lidar, por exemplo, com a rápida urbanização e a redução da pobreza, e para responder à necessidade de habitações adequadas e de baixo custo para combater a disseminação de acampamentos e favelas urbanas.

Como criar cidades sustentáveis e ecológicas?

Para criar cidades sustentáveis e promover um urbanismo sustentável, os responsáveis políticos e os urbanistas devem empenhar-se num planejamento urbano respeitador do ambiente, baseado nos 15 princípios do urbanismo verde, incluindo a implementação de uma economia circular e a promoção de transportes públicos com baixas emissões, biodiversidade urbana e energias renováveis.

Por exemplo, em 2024, a cidade mais sustentável do mundo, de acordo com o “Sustainable Cities Index”, publicado pela Arcadis — uma empresa internacional de consultoria e projeto em engenharia civil e ambiental — foi Amsterdã, considerada o melhor exemplo de como combinar sucesso econômico com iniciativas que beneficiam o meio ambiente e a comunidade.

O sucesso da cidade holandesa baseia-se, segundo os analistas da Arcadis, também no “Climate Neutral 2050 Roadmap”, um plano estratégico que visa reduzir em 95% as emissões de carbono em relação aos níveis de 1990.

Com o lema “Há apenas um momento para chegar a tempo”, o plano define as ações necessárias para diminuir o consumo de energia e as emissões nos principais setores – edifícios, mobilidade, eletricidade e indústria – e convoca os cidadãos a um compromisso comum para alcançar este objetivo.

Fonte: ENEL.

Foto: Reprodução.

Seja o primeiro

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *