Em 2019, pesquisadores brasileiros alertaram sobre a descoberta de rochas formadas por plásticos na Ilha da Trindade, a mais de 1 mil km de distância de Vitória, no Espírito Santo, onde acontece maior desova de tartaruga-verde do Brasil. O fenômeno – a formação de rochas compostas por poluição marinha, sobretudo, plástico – já tinha sido observado, pela primeira vez, anos antes, no Havaí.
Agora cientistas do Instituto de Ciências e Tecnologia Okinawa (OIST), no Japão, revelam a identificação do que eles chamam de “plasticorais“, “polímeros derretidos provenientes de plásticos domésticos comuns, que penetraram de forma inseparável nos poros da estrutura esquelética de fragmentos de coral morto.” Ou seja, uma nova ameaça à sobrevivência desses ecossistemas, já tão impactados pelas mudanças climáticas e outras atividades humanas.
Os autores do estudo, publicado no jornal Marine Pollution Bulletin, explicam que fragmentos de coral podem ser encontrados em praias. Mas levados de volta ao mar, eles servem como um importante substrato para novos recifes de corais, e suas formas irregulares podem se tornar habitat para proteger peixes jovens e outras pequenas formas de vida marinha de correntes fortes e predadores.
Amostras dos “plasticorais” foram coletadas em três diferentes praias da Ilha de Okinawa, durante levantamentos sobre lixo marinho. Embora os pesquisadores afirmem que é preciso análises adicionais ainda para determinar a origem dos “plasticorais”, uma das suspeitas é que sejam resultado da montagem de fogueiras nesses locais.
Impacto do plástico sobre recifes de corais
Estudos anteriores já demonstraram que a presença de substâncias químicas provenientes de polímeros (macromoléculas) plásticos tem efeito sobre a propagação de corais. Esses resíduos também estão associados com a disseminação de doenças na cadeia alimentar marinha.
Estimativas apontam que 20 milhões de toneladas de plástico são descartas no meio ambiente anualmente, e que há 5,25 trilhões de partículas desse material nos oceanos.
Um levantamento feito por três instituições internacionais, divulgado em maio de 2026, mapeou, pela primeira vez, esses resíduos por tipo de uso: embalagens de alimentos, tampas e garrafas plásticas apareciam no topo de lista.
PL sobre plástico está parado no Congresso
Embora o Brasil esteja entre os dez países que mais produzem lixo plástico no mundo, até hoje não temos uma legislação federal para lidar com esses resíduos. Mas existe um projeto de lei, o PL 2.524/2022, que está parado no Senado desde 2024, que defende a criação de um marco regulatório para o setor, com foco principal na proibição da fabricação, importação, distribuição, uso e comercialização de produtos plásticos de uso único feitos em material não compostável, como canudos, talheres, pratos, misturadores de bebidas, copos, tampas, embalagens e sacolas.
Fonte: Conexão Planeta.
Foto: © Ilechukwu et al., 2026.


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