Poluição do ar pode aumentar o risco de ELA, doença do físico Stephen Hawking, afirma estudo

A exposição prolongada à poluição do ar está associada a um risco maior de desenvolver doenças neurodegenerativas graves, como a esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença que afetou o físico britânico Stephen Hawking, e pode acelerar a progressão do quadro clínico. A conclusão é de um estudo conduzido por pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, publicado na revista JAMA Neurology.

A pesquisa analisou dados de 1.463 pessoas com diagnóstico recente de doenças do neurônio motor (MND, na sigla em inglês), comparadas a 1.768 irmãos e mais de 7 mil indivíduos da população geral, pareados por características demográficas. Os cientistas avaliaram a exposição a poluentes atmosféricos, como material particulado fino (PM2.5, PM10) e dióxido de nitrogênio (NO₂), nos endereços residenciais dos participantes ao longo de até dez anos antes do diagnóstico.

Mesmo em um país com níveis relativamente baixos de poluição, como a Suécia, a exposição de longo prazo foi associada a um aumento de 20% a 30% no risco de desenvolver MND. A maioria dos casos analisados correspondia à ELA, forma mais comum da doença, responsável por cerca de 85% a 90% dos diagnósticos.

Além do risco aumentado, o estudo indica que pacientes que viveram em áreas mais poluídas apresentaram deterioração mais rápida das funções motoras e pulmonares após o diagnóstico. Esses indivíduos também tiveram maior risco de morte e maior probabilidade de necessitar de ventilação mecânica invasiva.

Ao restringir a análise apenas aos pacientes com ELA, os pesquisadores observaram resultados semelhantes aos encontrados no grupo total de MND, reforçando a consistência da associação.

As causas dessas doenças ainda não são plenamente conhecidas, mas fatores ambientais vêm sendo investigados há décadas. Embora o estudo não estabeleça uma relação causal, evidências anteriores indicam que a poluição do ar pode provocar inflamação e estresse oxidativo no sistema nervoso, processos associados à neurodegeneração.

O trabalho utilizou registros nacionais suecos e contou com financiamento de instituições como o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), o Conselho Sueco de Pesquisa e o Instituto Karolinska.

Fonte: Um Só Planeta.

Foto: Getty Images.

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