A Antártida concentra 60% dos meteoritos já encontrados na Terra, mesmo não sendo o local onde mais rochas espaciais caem do céu. O fator decisivo está na facilidade de identificação, na preservação natural e no movimento constante do gelo, que acaba reunindo esses fragmentos em áreas específicas.
O cenário antártico cria condições únicas para esse acúmulo. A superfície branca e limpa faz qualquer rocha escura se destacar visualmente, enquanto o frio extremo reduz processos de deterioração comuns em outras regiões do planeta. Isso transforma o continente em um verdadeiro arquivo natural do espaço.
Além do ambiente favorável, há um esforço científico contínuo voltado exclusivamente para a coleta desses materiais. Programas estruturados percorrem o gelo em busca de meteoritos, ampliando de forma consistente o número de fragmentos recuperados ao longo das décadas.
O contraste visual da Antártida facilita a identificação dos meteoritos
No interior do continente, a paisagem é dominada por neve e gelo quase sem impurezas, o que cria um contraste imediato com qualquer objeto escuro. Um meteorito do tamanho de uma noz se torna visível a longas distâncias, algo que não acontece em solos rochosos ou áreas urbanas.
Em outras partes do mundo, fragmentos espaciais se misturam facilmente a pedras comuns. Na Antártida, esse contraste transforma a busca em um processo direto, reduzindo erros de identificação e acelerando o trabalho de campo das equipes.
Esse fator visual simples tem impacto direto nas estatísticas globais, já que muitos meteoritos que passariam despercebidos em outros ambientes acabam sendo localizados no gelo antártico.
O frio extremo ajuda a conservar meteoritos por longos períodos
Ambientes úmidos aceleram a oxidação e a decomposição de rochas espaciais, fazendo com que percam características que permitem sua identificação. Na Antártida, o clima frio e seco desacelera drasticamente esses processos químicos.
Regiões afastadas da costa oferecem condições ainda mais estáveis, permitindo que meteoritos permaneçam praticamente intactos por longos períodos. Isso aumenta a chance de reconhecimento mesmo após muito tempo desde a queda.
Essa conservação natural explica por que fragmentos antigos continuam sendo encontrados e catalogados, ampliando o conhecimento científico sobre a origem e a composição desses materiais.
O movimento do gelo concentra meteoritos em áreas específicas
O gelo antártico está em constante deslocamento, ainda que de forma lenta. Esse movimento, combinado com a perda gradual da superfície por ação do vento e do clima, faz com que meteoritos sejam transportados e concentrados em pontos determinados.
Essas áreas funcionam como zonas naturais de acúmulo, onde diferentes fragmentos acabam reunidos ao longo do tempo. Quando o gelo superficial é removido, os meteoritos ficam expostos e prontos para serem coletados.
Esse processo geológico explica por que certas regiões apresentam densidade muito maior de achados, mesmo sem receber mais quedas do que outras partes do planeta.
O papel da ciência na coleta sistemática de meteoritos
A presença de programas científicos dedicados à Antártida faz diferença direta nos números globais. Equipes especializadas percorrem o continente com métodos padronizados, garantindo que os fragmentos sejam localizados, catalogados e preservados corretamente.
O programa ANSMET, ativo desde 1976, é um dos principais exemplos desse trabalho contínuo. Até o final de 2022, o projeto havia recuperado mais de 23.000 espécimes, contribuindo de forma decisiva para o total global.
Somando iniciativas internacionais, o número de meteoritos coletados na Antártida ultrapassa 50.000 fragmentos, consolidando o continente como o maior repositório natural desse tipo de material.
O que a concentração de meteoritos revela sobre o planeta
A grande quantidade de achados na Antártida não indica maior incidência de impactos, mas sim um ambiente ideal para preservação e descoberta. Isso muda a forma como os dados globais sobre meteoritos são interpretados.
O continente funciona como um filtro natural, reunindo fragmentos que caíram em diferentes épocas e permitindo análises mais completas sobre a história do sistema solar.
Com o avanço das pesquisas e a continuidade das expedições científicas, a Antártida tende a manter seu papel central na descoberta de meteoritos, oferecendo pistas valiosas sobre a origem desses visitantes espaciais e sobre os próprios processos naturais do planeta.
Fonte: CPG – Click Petróleo e Gás.
Foto: José Jorquera (Antarctica.cl), Universidade de Santiago, Chile.


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