Reciclagem de plástico ainda é “mito” nos EUA, afirma estudo do Greenpeace

Somente 5% dos resíduos plásticos domésticos gerados nos Estados Unidos foram reciclados em 2021, de acordo com o relatório Circular Claims Fall Flat Again, do Greenpeace. A pesquisa, divulgada nesta segunda-feira (24), alerta que a reciclagem do plástico no país continua sendo um “mito” das indústrias do setor.

No ano passado, os norte-americanos descartaram 51 milhões de toneladas de itens como embalagens, garrafas e sacolas, das quais apenas 2,4 milhões de toneladas foram recicladas. Com isso, quase 95% do lixo plástico acabou em aterros sanitários, nos oceanos ou espalhado na atmosfera na forma de partículas microscópicas.

O estudo atualizou uma pesquisa de 2020 que examinou produtos plásticos em aproximadamente 370 usinas de reciclagem nos Estados Unidos, revelando que só podiam ser recicláveis alguns itens feitos de politereftalato de etileno (PET), usado em garrafas de água e refrigerante; e de polietileno de alta densidade (PEAD), presente em frascos de shampoo e embalagens de produtos de limpeza.

A maioria dos tipos de embalagens plásticas eram economicamente impossíveis de reciclar — e o mesmo foi constatado agora. A atualização de 2022 mostra poucas mudanças: somente o PET e o PEAD continuam como os dois únicos tipos de plásticos aceitos nas 375 instalações de recuperação de materiais dos EUA.

Mas ser reciclável não significa ser reciclado. O relatório descobriu que em 2021 ambos os produtos tiveram taxas reais de reprocessamento de 20,9% e 10,3%, respectivamente – porcentagens ligeiramente abaixo das da pesquisa de 2020.

Já plásticos de outros tipos, incluindo aqueles usados para fabricar brinquedos, sacolas plásticas, potes de iogurte e recipientes de comida para viagem, tiveram resultados ainda piores, tendo sido reciclados a taxas menores que 5%.

Os EUA, assim como muitos países, exportavam milhões de toneladas de plásticos para a China, contabilizando o lixo plástico exportado como reciclado. Em 2018, porém, os chineses pararam de aceitar os plásticos. Assim, a taxa de reciclagem entre os norte-americanos caiu de 9,5% em 2014 para 8,7% naquele ano.

Economia circular do plástico é “ficção

Segundo Lisa Ramsden, ativista sênior de plásticos do Greenpeace EUA, corporações como Coca-Cola, PepsiCo, Nestlé e Unilever têm trabalhado com grupos da indústria para promover a reciclagem como solução para resíduos plásticos por décadas. Mas a porta-voz reitera: a maior parte do plástico não é reciclável. “A solução real é mudar para sistemas de reutilização e recarga”, ela afirma, em comunicado.

Ramsden defende ainda que a indústria apoie o Tratado Global de Plásticos, que os membros das Nações Unidas concordaram em criar em fevereiro de 2022, de acordo com a Agência France-Presse (AFP). “Estamos em um ponto de decisão sobre a poluição plástica”, diz a ativista. “É hora das corporações fecharem a torneira de plástico”.

No relatório, o Greenpeace chama as empresas para que se engajem pela transformação na indústria, promovendo um tratado ambicioso que envolva todo o ciclo de vida dos produtos de plástico e enfatize a redução do volume produzido. A ONG também pede que as companhias definam metas para ter pelo menos 50% de embalagens reutilizáveis ​​até 2030.

Outro pedido é que haja a eliminação gradual dos plásticos de uso único e a adoção de embalagens reutilizáveis ​​padronizadas. “O Greenpeace acredita que as empresas devem agir agora para eliminar plásticos e embalagens de uso único e não confiar em soluções falsas, como reciclagem (avançada, química ou outra), conteúdo reciclado e substituição de material”, afirma o texto.

Fonte: Revista Galileu, Greenpeace.

Foto: Greenpeace.