Restauração da natureza alcança recorde de 252 milhões de hectares

Ao redor do mundo, 149 países estão conseguindo recuperar 252 milhões de hectares de áreas naturais, um nível sem precedentes. Apesar disso, o ritmo ainda é insuficiente para cumprir as metas globais de recuperação de ecossistemas para 2030.

As informações são de um relatório das Nações Unidas publicado nesta quinta-feira (29), durante a COP17, cúpula das Nações Unidas sobre biodiversidade que acontece em Yerevan, na Armênia. A área total sendo restaurada ao redor do mundo é equivalente à da Argentina ou da Argélia.

“É a maior operação de restauração já documentada“, celebrou Doreen Robinson, diretora adjunta da divisão de ecossistemas do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

Em 2022, na COP15 da biodiversidade, os países se comprometeram com um acordo histórico, conhecido como Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal. O documento estabeleceu a missão de deter e reverter a perda de biodiversidade por meio do cumprimento de 23 metas até 2030.

O mais celebrado foi o compromisso de proteger 30% das terras, águas continentais e oceanos do planeta, conhecido como 30×30. Os países também prometeram restaurar um bilhão de hectares de áreas naturais, tornar a agricultura sustentável e pôr fim à exploração excessiva de espécies silvestres.

Os esforços de restauração registrados envolvem principalmente áreas terrestres, chegando a 232 milhões de hectares. É a metade da meta estabelecida para este tipo de ecossistema até o final da década, segundo a ONU.

As iniciativas alcançaram apenas 11 milhões de hectares em ecossistemas de água doce e 5,7 milhões de hectares no mar e na costa, de acordo com o relatório. O resultado está muito distante das metas estabelecidas para esses ambientes, que “estão se degradando em um ritmo especialmente rápido”, advertiu a entidade.

O relatório destaca que as políticas de restauração criaram um milhão de postos de trabalho no setor. A meta é alcançar 32 milhões de empregos até 2030.

O ritmo dos esforços de restauração, no entanto, ainda precisa “triplicar” para alcançar as metas fixadas de um bilhão de hectares, segundo o relatório, que também pede um aumento considerável do financiamento, em particular o privado.

A China está muito à frente das demais regiões em termos de restauração terrestre, com 137 milhões de hectares, seguida por Mongólia, Cazaquistão e Etiópia.

Os Estados também se comprometeram a dedicar esforços para conter a perda de biodiversidade e proteger o planeta no âmbito da chamada Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas (2021–2030).

A COP17 sobre biodiversidade acontece até o fim desta semana na Armênia. Nações estão reunidas justamente para tentar corrigir o rumo de seus compromissos na área.

Fonte: Folha SP.

Foto: Laurie Hedges/ IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológica.

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