Em apenas dez dias, uma paraça-tarefa coordenada pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) identificou 31,86 hectares de desmatamento ilegal em áreas de Mata Atlântica no estado. A área devastada equivale a quase 45 campos de futebol e representa mais de 60% de toda a área fiscalizada durante a Operação Mata Atlântica em Pé 2026, considerada a maior ação integrada de fiscalização ambiental do país.
Realizada simultaneamente entre os dias 17 e 27 de agosto em 17 estados brasileiros que possuem remanescentes do bioma, a operação mobilizou Ministérios Públicos, órgãos ambientais e paraças policiais em uma ofensiva nacional contra o desmatamento ilegal. No Rio Grande do Norte, participaram das ações equipes do MPRN, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema) e Batalhão de Polícia Ambiental (BPAMB).
Ao todo, foram fiscalizadas 13 áreas em municípios da faixa litorânea e da Região Metropolitana de Natal. As inspeções resultaram em 10 autos de infração, quatro embargos e R$ 2.888.250 em multas, além de outras medidas administrativas.
As irregularidades foram detectadas por meio do cruzamento de imagens de satélite, análises geoespaciais e vistorias presenciais. Os alertas partiram de sistemas de monitoramento remoto, como o MapBiomas Alerta, que identifica alterações na cobertura vegetal quase em tempo real.
As áreas fiscalizadas estão localizadas nos municípios de Canguaretama, Goianinha, Vila Flor, Arez, Baía Formosa, Macaíba, São Gonçalo do Amarante, Nísia Floresta e São José de Mipibu.
A promotora de Justiça Luciana Maria Maciel, coordenadora da operação no estado, afirmou que a integração entre os órgãos ambientais fortalece a capacidade de identificar e responsabilizar infratores, além de ampliar a proteção dos remanescentes de Mata Atlântica potiguar.
Embora frequentemente associada às florestas do Sudeste, a Mata Atlântica também ocupa áreas importantes do litoral do Rio Grande do Norte, concentrando ecossistemas como restingas, manguezais e fragmentos florestais que abrigam espécies da fauna e da flora ameaçadas de extinção.
A região do litoral sul potiguar, onde se concentram municípios como Baía Formosa, Canguaretama e Vila Flor, reúne alguns dos maiores remanescentes do bioma no estado. Essas áreas exercem papel estratégico na proteção dos recursos hídricos, na contenção da erosão costeira e na regulação climática.
O que é a Operação Mata Atlântica em Pé
Criada pelo Ministério Público brasileiro, a Operação Mata Atlântica em Pé tornou-se a principal iniciativa de fiscalização integrada contra o desmatamento ilegal no bioma. A coordenação nacional é realizada pela Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa) e pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), com apoio da Fundação SOS Mata Atlântica.
A edição de 2026 reuniu os 17 estados abrangidos pela Mata Atlântica: Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.
Um dos diferenciais deste ano foi a ampliação das fiscalizações remotas. Em diversos estados, órgãos ambientais passaram a emitir autos de infração e embargos diretamente a partir da validação de imagens de satélite, sem necessidade de deslocamento imediato das equipes para o local da ocorrência. A medida permitiu acelerar a responsabilização dos infratores e ampliar a cobertura das fiscalizações.
A operação utiliza tecnologias de sensoriamento remoto, geoprocessamento, drones e plataformas como MapBiomas Alerta e Brasil Mais para identificar áreas desmatadas e direcionar as equipes de campo.
Os resultados das últimas edições demonstram a dimensão da iniciativa. Em 2024, a operação identificou mais de 17 mil hectares de desmatamento ilegal em todo o país. Já em 2025, foram fiscalizados 1.324 alertas de desmatamento, com aplicação de mais de R$ 116 milhões em multas e identificação de 12,3 mil hectares de áreas degradadas.
Segundo dados apresentados pelos organizadores, o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica registrou redução de 40% no desmatamento do bioma em 2025 em comparação ao período anterior e queda de 60% em relação a 2020-2021, alcançando a menor taxa observada em quatro décadas de monitoramento.
Fonte: Saiba Mais.
Foto: Reprodução.


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