Em Ilhota, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, moradores estão enfrentando uma infestação de um pequeno mosquito que pode causar grandes problemas quando sua população está fora de controle, o maruim. Quem convive com a infestação relata que casas de portas e janelas estão sempre fechadas – mesmo com o calor de até 30ºC que tem feito na região.
“Durante o dia, a gente está preso como prisioneiros dentro das nossas casas. Nós somos prisioneiros das nossas casas”, disse a moradora Patricia Zigoski Uchôa à afiliada da TV Globo NSC TV.
O mosquito Culicoides paraensis, popularmente chamado de maruim, é cerca de 12 vezes menor do que o mosquito transmissor da dengue, o Aedes Aegypti , e 20 vezes menor do que o Culex quinquefasciatus, o pernilongo comum, segundo o Ministério da Saúde.
A reportagem da NSC TV esclareceu que a proliferação do maruim ocorre onde há muita matéria orgânica em decomposição, pois a fêmeas (que são os insetos que picam) colocam os ovos em locais úmidos e com bastante matéria orgânica. Com isso, as larvas podem se criar em mangues, brejos e pântanos, segundo a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri).
A picada do inseto causa coceira e irritação na pele e pode transmitir doenças como a Febre do Oropouche. Recentemente, um estudo liderado pela Faculdade de Medicina da USP estimou que o vírus tenha infectado mais de 9,4 milhões de pessoas na América Latina e no Caribe entre 1960 e 2025, número muito superior ao total de casos oficialmente registrados. Apenas no Brasil, foram cerca de 5,5 milhões de infecções, segundo a nova pesquisa. A diferença entre infecções estimadas e casos notificados está relacionada, principalmente, à baixa detecção da doença, segundo os pesquisadores.
O trabalho – conduzido em colaboração com a University of Kentucky, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam) e Publicado na revista Nature Medicine – aponta uma discrepância expressiva entre o número de infecções e o de casos registrados de doença. Em Manaus, epicentro recente da transmissão, o total de infecções pode ser até 200 vezes maior que o de casos confirmados, relata o Jornal da USP.
A febre de oropouche causa sintomas semelhantes aos da dengue, mas pode evoluir para quadros graves, com complicações neurológicas, materno-fetais e risco de morte. Atualmente não há vacina nem tratamento antiviral específico disponível.
À Agência Fapesp José Luiz Proença Módena, coordenador do Laboratório de Estudos de Vírus Emergentes (Leve) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coautor dos estudos, afirmou que está é uma doença com magnitude muito maior do que se imaginava, o que requer mais atenção. “Estimamos que um em cada mil diagnósticos da doença evolua para complicações graves, como doenças neurológicas, microcefalia, abortos e complicações hepáticas, o que eleva o nível de prioridade para saúde pública”.
“Ao contrário do Aedes aegypti , que se reproduz em água parada, o maruim deposita seus ovos em solo úmido e rico em matéria orgânica. É um mosquito do mato, de áreas úmidas. Por isso, a predominância de casos em áreas rurais e não urbanas”, explicou William de Souza, professor da Universidade do Kentucky, nos Estados Unidos, que também assina o estudo.
Fonte: Um só Planeta.
Foto: Reprodução/NSC TV.


Seja o primeiro