Quase uma em cada duas crianças nos Estados Unidos está exposta a níveis perigosos de poluição do ar. São 33,5 milhões de crianças, equivalente a 46% da população abaixo dos 18 anos vivendo em áreas com qualidade do ar considerada inadequada.
As informações são do mais recente relatório da American Lung Association, divulgado com base em dados coletados entre 2022 e 2024 e repercutido pelo The Guardian. O estudo mostra ainda que sete milhões de crianças vivem em regiões que falharam em todos os critérios avaliados de poluição, o que eleva riscos à saúde.
Infância
A exposição à poluição tem efeitos mais graves na infância. “Crianças estão com os pulmões em formação, respiram mais ar proporcionalmente e são mais expostas ao ambiente externo. Isso pode causar danos de longo prazo, novos casos de asma e aumento do risco de doenças respiratórias”, explicou um representante da American Lung Association, Will Barrett, em entrevista ao The Guardian.
Racismo ambiental
O relatório também aponta um recorte importante: a exposição não é igual para todos. Comunidades negras, latinas e de outras minorias raciais são mais afetadas pela poluição do ar. Embora representem cerca de 42% da população, essas populações correspondem a mais da metade dos que vivem em áreas com ar de má qualidade.
Além disso, têm 2,4 vezes mais chance de viver em regiões com os piores níveis de poluição, o que agrava desigualdades já existentes em saúde.
Clima
De acordo com o relatório, fatores climáticos têm intensificado a poluição. Calor extremo, secas prolongadas e incêndios florestais aumentam a concentração de poluentes, principalmente, o ozônio ao nível do solo — o chamado smog, considerado um dos principais riscos à saúde.
Entre 2022 e 2024, cerca de 129 milhões de pessoas nos EUA (38% da população) foram expostas a níveis de ozônio considerados perigosos. A tendência, segundo os pesquisadores, é de agravamento.
Isso porque as mudanças climáticas criam condições mais favoráveis para a formação e o acúmulo de poluentes, como temperaturas mais altas e menor circulação de ar.
Data Centers
O relatório também chama atenção para uma fonte crescente de impacto: os data centers. Com o avanço da inteligência artificial e do armazenamento de dados, essas estruturas já consomem cerca de 4,4% da eletricidade dos Estados Unidos — número que pode chegar a 12% na próxima década.
O problema é que boa parte dessa energia ainda vem de combustíveis fósseis. Além disso, muitos data centers utilizam geradores a diesel como reserva, liberando poluentes nocivos no ar.
Fonte: Um Só Planeta.
Foto: Warangkana Charuyodhin/ GettyImages.


Seja o primeiro