Se durante o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro o lema (e promessa cumprida) era não criar nenhuma área protegida, exemplo seguido por muitos estados e municípios, na terceira fase do governo Lula o clima é outro. Desde 2023, quando houve a troca na cadeira da presidência da República, o Brasil já criou mais de 200 unidades de conservação em todas as esferas de governo. A maior parte delas são Reservas Particulares do Patrimônio Natural, ou RPPNs, criadas em propriedades privadas com reconhecimento do órgão ambiental federal, estadual ou mesmo municipal.
Ao todo, são 231 novas unidades de conservação (UCs) que cobrem mais de 2,4 milhões de hectares em todos os biomas. Somado a isso estão ampliações de áreas protegidas consolidadas, como no Pantanal, onde foram acrescidos 104 mil hectares a UCs existentes.
Esta análise de ((o))eco considera como base os dados do painel dinâmico de Unidades de Conservação, mantido pelo ICMBio, para o período entre 2023 e 2026. A apuração foi complementada por informações do Ministério do Meio Ambiente que apontaram 21 unidades de conservação ainda não incluídas no painel, sendo 18 RPPNs federais criadas ao longo de 2025, e três UCs estaduais: o Parque Estadual Morro Grande (SP), recategorizado em novembro de 2025; o Monumento Natural Cinco Pontões (ES), criado no final de março; e o Parque Distrital da Serrinha (DF), criado no dia 7 de abril.
Em âmbito federal foram instituídas 38 UCs, sendo 25 RPPNs. O destaque vai para os dois parques nacionais; do Albardão, no litoral do Rio Grande do Sul, criado em março deste ano, com 1 milhão de hectares (que o tornam o maior parque marinho do país); e o Serra do Teixeira, na Paraíba, decretado em 2023 com 61 mil hectares e primeiro parque nacional do estado.
Os parques se somam ao Monumento Natural Cavernas de São Desidério, na Bahia, e aos refúgios de vida silvestre Sauim-de-Coleira e Soldadinho-do-Araripe, como as cinco UCs de proteção integral criadas pelo governo Lula.
Os estados lideraram a criação de outras 102 UCs. A Bahia puxa a lista, com 26 UCs, porém todas são RPPNs, ou seja, foram estabelecidas por vontade dos proprietários particulares e “apenas” reconhecidas pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema-BA).
Os mais recentes são o Monumento Natural Cinco Pontões, decretado no dia 23 de março deste ano, pelo governo estadual do Espírito Santo, com 412 hectares de Mata Atlântica. E o Parque Distrital da Serrinha, no Distrito Federal, decretado em 7 de abril, com 65 hectares de Cerrado.
Já a maior é o Parque Estadual Ambiental das Árvores Gigantes da Amazônia, no Pará, com 559 mil hectares. Criado em outubro de 2024 e garante a proteção da maior árvore conhecida do Brasil e outras gigantes da flora amazônica.
Entre os municípios brasileiros foram criadas outras 91 UCs, a maioria (55) de proteção integral. A última delas, a RPPN Fazenda Colomi, em Guapimirim (RJ), a primeira do tipo oficializada pelo poder municipal, em fevereiro deste ano.
A prefeitura de Alvorada do Norte, em Goiás, foi responsável pela criação da maior UC municipal, a Área de Proteção Ambiental Águas da Serra, estabelecida em 2025 com 85 mil hectares no Cerrado goiano.
Fonte: ((O))eco.
Foto: Arquivo NEMA.


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