Cerca de 35% da população mundial vive atualmente em áreas onde o calor limita severamente as atividades seguras. A constatação é de um novo estudo global liderado por cientistas da The Nature Conservancy e publicado na revista Environmental Research: Health.
A equipe combinou mais de 70 anos de dados climáticos mundiais (1950–2024) com um modelo de equilíbrio térmico fisiológico que leva em conta como o corpo humano reage ao calor durante a atividade física e como essa resposta se altera com a idade. O objetivo foi identificar quando o calor não apenas causa sensação de perigo, mas também sobrecarrega a capacidade do corpo de se manter fresco.
“As mudanças climáticas não estão apenas intensificando o calor — elas estão reduzindo o tempo que as pessoas podem passar em segurança vivendo suas vidas normalmente”, disse o autor principal, Luke Parsons , cientista climático da The Nature Conservancy, em comunicado.
“Em alguns lugares, já estamos vendo condições em que até mesmo atividades mínimas podem levar o corpo humano além de seus limites.”
Os impactos são mais severos para os idosos, que têm menor capacidade de transpirar e, portanto, de controlar a temperatura corporal. Em média, pessoas com mais de 65 anos vivenciam cerca de 900 horas por ano — mais de um mês de horas diurnas — em que o calor limita severamente as atividades ao ar livre com segurança. Em 1950, eram 600 horas.
Em algumas regiões tropicais e subtropicais, o calor restringe as atividades ao ar livre para este grupo por um período entre um quarto e um terço do ano.
E mesmo os adultos mais jovens são afetados. O estudo aponta que de 1950 para cá dobrou o número de horas por ano em que o calor limita severamente as atividades ao ar livre com segurança – passou de 25 horas para 50 horas.
Países ricos são atingidos
O calor extremo atinge principalmente os países mais pobres. Reportagem do The Guardian relata que os desafios mais severos se encontram no sudoeste da Ásia (como no Iraque), no sul da Ásia (Paquistão, Bangladesh, Índia) e em partes da África Ocidental (Mauritânia, Mali, Burkina Faso, Senegal, Djibuti e Níger).
Mas os pesquisadores observaram que algumas das restrições mais severas já atingem países relativamente ricos, sobretudo em partes do Sul e Sudoeste da Ásia, incluindo os países do Golfo.
O trabalho salienta que a principal diferença não reside no calor em si, mas na capacidade das pessoas de lidar com ele. O acesso a refrigeração, infraestrutura e proteções no local de trabalho pode reduzir os riscos, mas isso é distribuído de forma desigual, mesmo nos países de alta renda.
Segundo os cientistas, à medida que o clima aquece e a população global envelhece, as regiões do mundo onde a vida cotidiana é fisicamente limitada pelo calor continuarão a se expandir.
Eles acrescentaram que cortes rápidos no uso de combustíveis fósseis e adaptações tecnológicas e comportamentais ao aumento das temperaturas podem ajudar a lidar com o clima quente.
Outras medidas incluem “estações de resfriamento” municipais onde pessoas vulneráveis podem ter acesso a ar-condicionado; campanhas de educação pública sobre como lidar com ondas de calor; e mudanças nos horários de trabalho.
Fonte: Um Só Planeta.
Foto: Getty Images.


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