Há anos cientistas alertam sobre os efeitos na saúde humana do clorpirifós, um inseticida que já teve seu uso banido na Europa, Canadá, Argentina e outros países, mas ainda é permitido no Brasil. Agora um novo estudo divulgado pela Universidade da Califórnia (UCLA), dos Estados Unidos, revela que a exposição prolongada a essa substância está associada a um aumento de mais de 2,5 vezes no risco de desenvolver a doença de Parkinson.
A pesquisa, divulgada no jornal Molecular Neurodegeneration, analisou dados de população humana e experimentos de laboratório, e apontou que o clorpirifós danifica as células cerebrais produtoras de dopamina.
O clorpirifós pertence a uma classe de pesticidas chamada de organofosforado, desenvolvida nas décadas de 1930 e 1940, originalmente como um agente de gás nervoso humano, mas depois adaptado, em doses menores, para ser utilizado como inseticida na agricultura.
No Brasil, o produto é usado em diversos cultivos, entre eles, da soja, feijão, café, trigo, milho, batata, algodão, cevada e maçã (o clorpirifós demora décadas para ser degradado no meio ambiente).
Autismo, redução de QI e déficit de atenção entre crianças
Em 2018, um outro estudo já tinha alertado sobre os efeitos dos organofosforados sobre a saúde mental de crianças. Testes realizados por pesquisadores da Universidade UC Davis, também da Califórnia, confirmaram que a exposição a essa substância química, mesmo em doses baixas, acarreta em redução de QI e de memória e pode aumentar os riscos do déficit de atenção, assim como, aquele de ocorrência de autismo.
Já mulheres grávidas expostas mesmo a níveis muito baixos de pesticidas organofosforados colocam seus fetos em risco de problemas de desenvolvimento que podem durar a vida inteira.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) iniciou, em 2021, a reavaliação toxicológica do clorpirifós. Entramos em contato com a assessoria de imprensa para saber se o processo já foi finalizado, ou ainda, se há alguma previsão para tal, mas até o momento não obtivemos resposta.
Já nos Estados Unidos, o uso do clorpirifós foi restrito, entretanto, ele ainda é utilizado em alguns lugares. Quase um milhão de norte-americanos vivem com a doença de Parkinson, um distúrbio neurológico progressivo que causa tremores, rigidez e dificuldade de movimento. “Embora a genética desempenhe um papel importante, fatores ambientais, como a exposição a pesticidas, são cada vez mais reconhecidos como contribuintes significativos para a doença”, destacam os pesquisadores envolvidos no estudo recém-divulgado pela UCL.
Fonte: Conexão Planeta.
Foto: Zefe Wu from Pixabay.


Seja o primeiro