Poluição do ar causa milhões de mortes precoces e afeta todo globo

A poluição do ar continua a ser uma ameaça global persistente, com consequências severas para a saúde humana, o ambiente e as economias, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, PNUMA.

De acordo com dados apresentados ao PNUMA, em 2021 a poluição do ar causou 8,1 milhões de mortes prematuras em todo o mundo. A agência da ONU fez um alerta para marcar o Dia Internacional do Ar Limpo para Céus Azuis, em 7 de janeiro. A iniciativa promove soluções para reduzir a poluição atmosférica.

Poluição interior e exterior

O tema deste ano, “Correndo em busca de ar”, numa tradução livre, sublinha a urgência de enfrentar aquilo que o secretário-geral da ONU, António Guterres, descreveu como uma “emergência global”.

A exposição a poluentes atmosféricos existe praticamente em todo o globo e está associada a milhões de mortes prematuras todos os anos. A poluição manifesta-se de duas formas principais: interior e exterior.

Em interiores, ela resulta sobretudo da queima de combustíveis sólidos, como lenha, carvão vegetal e esterco animal, utilizados por milhares de milhões de pessoas para cozinhar. Estes materiais libertam partículas finas, fuligem e carvão.

Já a poluição do ar exterior provém de várias fontes, incluindo fábricas, veículos motorizados, incêndios florestais e tempestades de poeira. Entre os poluentes mais preocupantes estão as partículas finas PM10 e PM2.5, o monóxido de carbono, o ozono troposférico, bem como o dióxido de azoto e o dióxido de enxofre.

Exposição generalizada e impactos na saúde

Segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS, 99% da população mundial respira ar considerado poluído. As partículas PM10 conseguem penetrar profundamente nos pulmões, enquanto as PM2.5 são ainda mais perigosas, podendo entrar na corrente sanguínea e afetar todos os órgãos do corpo.

A poluição do ar está associada a doenças como pneumonia, doenças cardíacas, acidentes vasculares cerebrais, câncer do pulmão e bebês que já vem ao mundo mortos.  Em 2021, mais de 700 mil óbitos atribuídos à poluição do ar ocorreram em crianças abaixo de cinco anos.

Impactos no clima, no desporto e no desenvolvimento

Muitos dos poluentes atmosféricos que afetam a saúde humana também contribuem para o aquecimento global, incluindo o metano e o carvão. Estes chamados “superpoluentes” têm sido responsáveis por uma parte significativa do aquecimento global registado até à data.

A poluição do ar tem igualmente afetado eventos desportivos, com níveis elevados de contaminantes a colocarem riscos para atletas. Em resposta, algumas organizações desportivas instalaram sensores de qualidade do ar para monitorizar condições perigosas.

Reduzir a poluição do ar pode contribuir para o cumprimento de vários Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS, incluindo os relacionados com saúde, redução da pobreza, diminuição das desigualdades e segurança alimentar.

Cooperação internacional e ações para reduzir a poluição

Os poluentes atmosféricos não têm fronteiras, o que torna a cooperação internacional essencial. O PNUMA destaca a necessidade de partilha de dados, alinhamento de políticas e mobilização conjunta de recursos para enfrentar o problema à escala global.

Entre as medidas apontadas estão o reforço dos sistemas de monitorização da qualidade do ar, a utilização de dados científicos para orientar políticas públicas, a limitação de emissões através de legislação e o fortalecimento das instituições responsáveis pela gestão ambiental.

A ONU continua a apoiar países e comunidades através de iniciativas como a Climate and Clean Air Coalition, a BreatheLife e a Abordagem Comum para um Planeta Livre de Poluição, com o objetivo de garantir um ambiente limpo, saudável e sustentável para todos.

Fonte: ONU News.

Foto: Reprodução.

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