Pesticida voador: Austrália usa drones para matar ratos

Uma operação está testando o uso de drones para eliminar uma infestação de camundongos que ameaça aves marinhas no norte da Austrália. A iniciativa busca reverter um desequilíbrio ecológico que se arrasta desde o século XIX e que praticamente expulsou espécies migratórias de um de seus antigos refúgios.

A ação foi realizada na Ilha Browse, um território isolado no oceano Índico, onde mais de 700 quilos de iscas foram distribuídos por via aérea com o auxílio de um drone especialmente projetado para essa finalidade. O objetivo é erradicar o camundongo doméstico invasor, responsável por comer ou destruir ovos e comprometer a reprodução das aves.

Colapso

De acordo com autoridades ambientais australianas, a presença dos roedores alterou a dinâmica ecológica da ilha. “Estamos falando de infestação”, afirmou o coordenador de conservação do governo regional, Bruce Greatwich.

“Eles chegam a níveis de praga e estão por toda parte, interagindo com as aves que tentam se reproduzir”, diz.

A consequência foi a migração paraçada de aves marinhas para outras ilhas da região, o que impacta, de forma negativa, as cadeias reprodutivas. Tentativas anteriores de controle falharam por conta das condições extremas da ilha, que são calor intenso, alta umidade e vegetação densa. Nesse contexto, o uso de drones surgiu como alternativa mais viável.

A operação, desenvolvida em parceria com pesquisadores da Universidade Monash, é considerada a primeira no mundo focada especificamente na erradicação de camundongos por via aérea. “É especialmente ambicioso quando consideramos a quão remota é essa região”, afirmou o professor Rohan Clarke. A precisão é fundamental, afinal, qualquer falha na distribuição das iscas pode permitir a sobrevivência de indivíduos e comprometer todo o projeto.

Após a aplicação inicial, pesquisadores monitoraram o consumo das iscas e realizaram uma segunda rodada para garantir a eliminação total da população invasora. O sucesso da operação ainda será avaliado. “Esse é o sonho: restaurar a ilha ao seu estado ecológico original”, disse Greatwich.

Fontes: Um Só Planeta, Canaltech.

Foto: Reprodução/DBCA.

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