Usinas reversíveis são caminho para matriz energética ainda mais limpa

O Brasil é conhecido por contar com matriz energética limpa, mas ainda pode avançar nessa área, porisso, intensifica o uso de hidrelétricas reversíveis como solução estratégica para armazenar energia e garantir estabilidade elétrica.

Além disso, a medida surge em meio ao crescimento das fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica, que não geram energia continuamente.

Segundo o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), em abril de 2024, duas resoluções foram aprovadas para retomar estudos e definir diretrizes para essa tecnologia.

Assim, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) iniciou a estruturação de um plano nacional, com publicação prevista em breve.

Dessa forma, o país busca armazenar energia em períodos de baixa demanda e utilizá-la quando o consumo aumenta.

Funcionamento das usinas e papel no sistema elétrico

Primeiramente, as hidrelétricas reversíveis operam com dois reservatórios em níveis diferentes.

Quando há excesso de energia, a água é bombeada para o reservatório superior.

Em seguida, quando a oferta diminui, essa água retorna para gerar eletricidade novamente.

Assim, o sistema equilibra a rede elétrica e reduz oscilações.

De acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME), esses sistemas serão usados para aumentar a segurança, confiabilidade e modernização do setor elétrico.

Além disso, substituem parcialmente o papel das térmicas, que antes garantiam energia em momentos críticos.

Reservatório em operação ilustra como hidrelétricas podem armazenar energia excedente e liberar eletricidade conforme a demanda do sistema elétrico.

Crescimento global impulsiona adoção da tecnologia

Atualmente, conforme dados do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel/UFRJ), em 2024, o armazenamento hidráulico representa mais de 90% da capacidade global, com cerca de 189 GW instalados.

Enquanto isso, a China lidera o avanço e deve atingir 120 GW até 2030.

Já os Estados Unidos projetam superar 57 GW até 2050.

Portanto, esse crescimento ocorre devido à expansão das energias renováveis, que exigem soluções para equilibrar geração e consumo.

Segundo a EPE, o armazenamento tornou-se essencial diante da variabilidade dessas fontes.

Potencial brasileiro e vantagens estruturais

No Brasil, a Abrage estima que o armazenamento hidráulico pode alcançar 38 GW, equivalente a cerca de 15% da capacidade instalada atual.

Além disso, a presidente da entidade, Marisete Dadald, destaca que o país enfrenta excesso de oferta e cortes de geração.

Por isso, o armazenamento surge como solução imediata.

Entre as principais vantagens do Brasil, destacam-se:

– Capacidade instalada de cerca de 110 GW em hidrelétricas

– Geografia favorável ao armazenamento hidráulico

– Indústria nacional apta a produzir equipamentos

Assim, o país reúne condições técnicas para expandir essa tecnologia.

Regulamentação e leilões para viabilizar projetos

Enquanto isso, o CNPE definiu que a contratação ocorrerá por meio de leilões.

Assim, o MME, com apoio da Aneel, ONS e EPE, irá definir critérios técnicos.

Segundo Nivalde Castro (Gesel/UFRJ), os editais estabelecerão capacidade, tempo de geração e preço-teto por megawatt.

Além disso, os contratos devem ter duração mínima de 30 anos.

No entanto, projetos exigem cerca de quatro anos entre estudos e construção.

Portanto, a regulamentação precisa avançar com agilidade.

Comparação com baterias e vida útil superior

Por outro lado, sistemas de baterias (BESS) também são utilizados para armazenamento.

Contudo, apresentam menor durabilidade.

Segundo a Abrage, baterias têm vida útil média de 15 anos.

Já as hidrelétricas reversíveis operam entre 80 e 100 anos.

Além disso, conseguem fornecer energia por períodos mais longos.

Assim, tornam-se mais adequadas para armazenamento de longa duração.

Modelos de implantação e impacto ambiental reduzido

Segundo especialistas, projetos mais viáveis envolvem usinas de médio e grande porte.

No entanto, sistemas de circuito fechado também ganham espaço.

Isso ocorre porque reduzem impactos ambientais e dependência de rios.

Além disso, conforme Camila Fernandes (Abrage), esses sistemas podem utilizar reservatórios existentes.

Em muitos casos, são estruturas compactas e com pouca interferência na superfície.

Assim, apresentam menores desafios socioambientais.

Histórico no Brasil e retomada da tecnologia

Historicamente, o Brasil já utilizou hidrelétricas reversíveis entre 1939 e 1955.

Foram instaladas quatro unidades, sendo três em São Paulo e uma no Rio de Janeiro.

Contudo, atualmente, essas usinas não operam plenamente nesse modelo.

Assim, com a expansão das renováveis e menor construção de grandes hidrelétricas, a tecnologia volta ao debate.

Diante desse cenário, o Brasil conseguirá transformar esse potencial em projetos concretos e garantir uma matriz elétrica mais flexível e segura?

Fontes: CPG – Click Petróleo e Gás, O Globo.

Imagem: Reprodução.

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