Segundo o instituto Copernicus, principal órgão de monitoramento climático da União Europeia, o continente tem registrado taxas de aquecimento quase duas vezes superiores à média global.
A ciência já comprovou que o mundo aqueceu, em média, 1,4°C em relação ao período pré-industrial. No caso da Europa, no entanto, o aquecimento médio chegou a 2,5°C.
Um reflexo disso foi registrado esta semana, quando, ainda na primavera, recordes históricos de temperatura para o mês de maio foram quebrados simultaneamente no Reino Unido, na Irlanda e na França.
Em Londres, a temperatura passou de 35°C na terça-feira (27), um calor que costumava ser registrado apenas nos picos do tradicionalmente modesto verão britânico.
Tudo isso é provocado pela ação humana, especialmente por meio do uso indiscriminado de combustíveis fósseis, da devastação de florestas e do desrespeito à natureza em todo o mundo.
No caso europeu, vários fatores contribuem para esse aquecimento acelerado.
Fatores geográficos
Um dos principais é geográfico, dada a proximidade do continente com a região do Ártico.
Segundo o Copernicus, as áreas próximas ao Polo Norte estão aquecendo mais rapidamente do que qualquer outra parte do planeta, e a porção norte da Europa está diretamente conectada a esse sistema climático.
O rápido derretimento do gelo marinho e da neve reduz a capacidade do Ártico de refletir a radiação solar, fazendo com que mais calor seja absorvido pela superfície.
Outro problema é a perda de neve sazonal na própria Europa.
Segundo o instituto europeu, a diminuição da cobertura de neve durante o inverno contribui diretamente para o aumento das temperaturas, criando um ciclo de aquecimento contínuo.
Isso ocorre pelo mesmo fenômeno observado no Polo Norte: menos neve na Europa significa menor reflexão da luz solar, o que leva a mais calor sendo retido no solo.
Mudanças nas correntes de ar
Além disso, mudanças na circulação atmosférica estão agravando o cenário.
O serviço europeu aponta que alterações nas correntes de ar têm favorecido a persistência de sistemas de alta pressão sobre a Europa. Isso cria uma espécie de efeito “panela de pressão”, que mantém o ar quente preso no continente.
Como consequência, há ondas de calor mais longas, secas mais intensas e menor variação climática em determinados períodos.
Um último fator apontado é, até certo ponto, surpreendente: o sucesso da Europa no combate à poluição também tem contribuído para o aumento das temperaturas.
Isso acontece porque partículas poluentes na atmosfera ajudam a refletir parte da radiação solar, reduzindo o aquecimento da superfície.
A Europa vem adotando, desde a década de 1980, políticas muito bem-sucedidas de combate à poluição, o que trouxe ganhos importantes para a saúde da população.
Como essas políticas não serão revertidas, por razões óbvias, o continente terá que avançar ainda mais na redução do uso de combustíveis fósseis e na adoção de fontes de energia limpa.
Eventos extremos
Os dados do Copernicus mostram que a Europa tem registrado aumento significativo na frequência e na intensidade de eventos extremos, como ondas de calor, incêndios florestais e secas prolongadas.
Ao mesmo tempo, episódios de chuvas intensas e inundações também têm se tornado mais comuns.
Outro destaque dos relatórios é que o aquecimento europeu não ocorre de forma uniforme.
As regiões do sul enfrentam secas mais severas, enquanto o norte registra aumentos mais acentuados de temperatura e mudanças no regime de precipitação.
Tudo isso reforça que o mundo precisa adotar ações mais rápidas e eficazes para conter o aquecimento global e mitigar os efeitos das mudanças climáticas.
Fontes: CNN, g1.
Foto: Rasid Necati Aslim/Anadolu via Getty Images.


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