Como sua Dieta Afeta o Planeta?

Você é o que come, como diz o ditado, e embora boas escolhas alimentares melhorem sua própria saúde, elas também podem melhorar o sistema de saúde e até beneficiar o planeta. Ter pessoas mais saudáveis significa não apenas menos doenças, mas também emissões reduzidas de gases de efeito estufa.

Então você quer reduzir sua pegada de carbono? Você pode aprimorar a dieta. Os cientistas dizem que a produção de alimentos, incluindo o plantio, a criação de animais, a pesca e o transporte, para que eles cheguem aos nossos pratos é responsável por 20% a 30% do total dos níveis globais de gases de efeito estufa. Além disso, 33% do solo livre de gelo em nosso planeta estão sendo usados para cultivar nossos alimentos, dizem os pesquisadores.

De acordo com a Global Footprint Network, organização de pesquisa que combate o aquecimento global, seriam necessários 4 planetas Terra para sustentar o mesmo ritmo de consumo da população mundial até 2050. A realidade é que, com a maior disponibilidade, menor preço e mais acesso aos alimentos, passamos a consumir de forma desenfreada carnes vermelhas e a desperdiçar mais alimentos, sem compostá-los adequadamente. Segundo o World Resources Institute (WRI), o Brasil descarta por ano cerca de 41 mil toneladas de comida, nos colocando entre os 10 países que mais desperdiçam alimentos.

A comida que comemos todos os dias nos mantém vivos, mas também pode incorrer em grandes custos ambientais e de saúde , emissões de carbono, degradação do solo e muito mais. Um estudo recente, publicado na Nature Food, descobriu que pequenas mudanças nas escolhas alimentares podem ter benefícios enormes para a saúde e para o planeta.

Como muitos alimentos com alto risco para a saúde, incluindo carnes processadas ou vermelhas, também têm altos custos ambientais, trocar apenas alguns deles, cerca de 10% da ingestão calórica diária de uma pessoa, pode reduzir a pegada ambiental baseada em alimentos de uma pessoa em mais de 30%, diz o estudo.

“O que é realmente bom é que, não para todos os itens alimentares, mas muitos, os alimentos mais saudáveis e nutritivos tendem a ser mais sustentáveis do ponto de vista ambiental, por isso acaba sendo uma situação vantajosa para ambas as partes”, diz Michael Clark, pesquisador de sistemas alimentares da Universidade de Oxford, que não está envolvido no estudo.

Mas como a alteração de nossas dietas pode mudar isso? Um novo estudo, publicado no PNAS (jornal da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos), descobriu que, se os cidadãos de 28 países de alta renda, como Estados Unidos, Alemanha e Japão, realmente seguissem as recomendações alimentares de seus respectivos governos, os gases de efeito estufa relacionados à produção dos alimentos que eles comem cairiam de 13 % a 25%. Ao mesmo tempo, a quantidade de terra necessária para produzir esses alimentos poderia cair em até 17%.

Além disso, a produção de alimentos é responsável por grandes problemas de quantidade e qualidade de água, frequentemente requer herbicidas e pesticidas que colocam em risco a biodiversidade e gera perdas de florestas e áreas silvestres quando as terras são convertidas para a agricultura.

A demanda global por carne bovina, por exemplo, aumentou a demanda por proteína de soja para alimentar o gado e, em resposta a essa demanda, vastas áreas da Amazônia são desmatadas a cada ano para abrir espaço para novas fazendas de soja e gado, acelerando a perda de floresta absorvente de carbono e biodiversidade.

Os epidemiologistas sabem há muito tempo que carnes processadas, carnes vermelhas e alimentos altamente processados e com alto teor de açúcar estão associados a riscos maiores de muitas doenças.

Paralelamente, a equipe avaliou os efeitos ambientais de milhares de alimentos. Eles olharam além dos custos do carbono, incorporando 15 maneiras diferentes de o meio ambiente absorver o impacto da produção de alimentos, desde os efeitos nos sistemas de água circundantes aos minerais raros necessários para cultivar produtos ou embalá-los até a poluição do ar local, causada pela produção.

Quando os pesquisadores analisaram as duas questões ao mesmo tempo, surgiu um padrão encorajador. Muitos alimentos bons para a saúde das pessoas também eram relativamente suaves para o meio ambiente. Não surpreendentemente, feijões, vegetais, não aqueles cultivados em estufas, no entanto, e alguns frutos do mar cultivados de forma sustentável, como o bagre, caíram no que eles denominaram de zona “verde”.

Os alimentos da zona “âmbar”, como leite e iogurte, alimentos à base de ovo e vegetais cultivados em estufas, equilibravam os custos com a saúde e o meio ambiente. Os alimentos da zona “vermelha”, que incluíam carne bovina, carnes processadas, porco e cordeiro, tinham altos custos de saúde e ambientais. Uma porção de ensopado de carne, eles calcularam, tem o custo de carbono semelhante ao de dirigir por cerca de 22,5 quilômetros.

Para alguns desafios climáticos, existem soluções relativamente simples. Por exemplo, as fontes de energia renováveis já podem substituir grande parte da energia necessária para abastecer edifícios, carros e muito mais.

Não há substituto para a comida, mas mudar o que comemos é possível. Se todos no planeta fossem veganos, as emissões de gases de efeito estufa do sistema alimentar poderiam ser reduzidas em mais da metade; um planeta de vegetarianos reduziria as emissões de alimentos em 44% e poderíamos evitar cerca de 1 grau Celsius de aquecimento futuro, de acordo com um artigo recente que considerou o experimento de pensamento único.

Embora as dietas vegetarianas e veganas estejam se tornando mais comuns nos EUA e na Europa, “é absolutamente absurdo presumir que todo mundo estará comendo uma dieta vegetariana daqui a 30 anos”, diz ele.

O meio ambiente sofre com os impactos humanos há muitos anos. No quesito alimentação, isso pode ser sentido pelo desperdício de comida e desigualdade alimentar no mundo. Segundo o relatório feito pela Embrapa, cada brasileiro joga mais de 40 kg de comida no lixo por ano. Só esse dado mostra que mudar os hábitos de consumo, incluindo alimentos sustentáveis na dieta, é mais do que necessário.

Um dos resultados mais críticos desse estudo é que as frutas, hortaliças, raízes e tubérculos estão no topo das perdas, pois uma boa parte do que é colhido é jogada fora. Essa realidade precisa gerar uma conscientização em massa de toda a população para evitar esse tipo de perda.

Exercer pequenas atitudes no cotidiano é crucial para construir uma sociedade mais justa e equilibrada. Escolher alimentos orgânicos e naturais, por exemplo, contribui para a preservação da água, do ar, do solo e, principalmente, da saúde. Afinal, esse tipo de alimentação garante o consumo de produtos livres de aditivos químicos e agrotóxicos, herbicidas, pesticidas e fertilizantes artificiais, que prejudicam a saúde humana e podem degradar o ecossistema.

Em suma, ao aliar sustentabilidade e alimentação, nós contribuímos para a conservação do planeta, o que oferece uma melhor qualidade de vida a todos e favorece a conservação dos recursos naturais.

Fontes: National Geographic, Global Footprint Network WRI , Ambiente Brasil, Racon, Tunes Ambiental.

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