Estudo dobra estimativa de espécies de insetos na Terra e indica que maioria ainda é desconhecida

Um novo estudo estima que o planeta pode abrigar entre 14 milhões e 20 milhões de espécies de insetos, número que representa de 8 milhões a 14 milhões a mais do que se acreditava anteriormente. A estimativa é até três vezes superior à mais aceita atualmente, de cerca de 6 milhões de espécies.

Publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences em 29 de junho, o trabalho utilizou informações genéticas de 1,6 milhão de insetos tropicais, um levantamento de vespas parasitóides realizado na Costa Rica e estratégias estatísticas para estimar o total de espécies de insetos existentes no mundo.

Até o momento, cientistas descreveram cerca de 1,2 milhão de espécies de insetos. Todas já foram nomeadas e caracterizadas para que possam ser identificadas por outros pesquisadores. Segundo os autores, o desafio é que novas espécies continuem sendo encontradas à medida que a amostragem aumenta.

“Não podemos proteger espécies se não sabemos que elas existem. Para compreender a biodiversidade do nosso planeta, é importante saber quantas delas existem”, afirmou uma das autoras do estudo, Laura Melissa Guzman, da Universidade Cornell, em comunicado à imprensa.

Os pesquisadores atribuem a grande diversidade dos insetos a fatores como a metamorfose, que permite explorar diferentes habitats ao longo do ciclo de vida, e ao pequeno porte dos animais, que favorece a manutenção de populações em áreas bastante restritas.

Para o estudo, a equipe realizou uma amostragem intensiva na Área de Conservação Guanacaste (ACG), na Costa Rica, que reúne 169 mil hectares de área protegida. Os cientistas utilizaram três métodos para coletar vespas parasitóides da subfamília Microgastrinae, incluindo armadilhas do tipo Malaise e a coleta de lagartas para análise das espécies de vespas que emergiram delas.

As 15 armadilhas principais capturaram mais de 1,6 milhão de insetos. Todos os exemplares passaram por um processo de identificação genética por DNA, permitindo estimar aproximadamente 54 mil espécies de insetos apenas nessa amostragem. Ao todo, foram registradas 1.414 espécies de vespas Microgastrinae.

Com base em técnicas estatísticas, os pesquisadores calcularam que a área estudada abriga cerca de 333 mil espécies de insetos. Em seguida, compararam a diversidade local de árvores com a estimativa global de espécies arbóreas e aplicaram essa proporção ao número obtido na ACG. Dessa forma, chegaram à estimativa de 14 milhões a 20 milhões de espécies de insetos em todo o planeta.

Segundo os autores, os resultados também reforçam a preocupação diante dos relatos recentes de declínio global das populações de insetos provocado por atividades humanas.

Além de ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade terrestre, o estudo reforça o alerta sobre a conservação desses animais. Insetos vêm sofrendo declínio em diversas partes do mundo devido ao uso de pesticidas, às mudanças climáticas, à destruição de habitats e à poluição luminosa.

“Não podemos proteger espécies se nem sabemos que elas existem”, afirmou Guzman.

Segundo os autores, o levantamento oferece uma referência mais robusta sobre a biodiversidade global e evidencia o quanto ainda falta conhecer sobre o grupo de animais mais diverso e abundante do planeta. A descoberta também sugere que inúmeras espécies podem estar em risco de extinção antes mesmo de serem registradas pela ciência.

Fontes: Olhar Digital, UM Só Planeta, Metrópoles.

Imagem: ChatGPT / Olhar Digital.

Seja o primeiro

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *