Paraciclismo brasileiro desponta na Copa do Mundo e ruma aos Jogos de Paris 2024

A terceira e última etapa da Copa do Mundo de Paraciclismo acontece agora, de 26 a 29 de maio, em Huntsville, Alabama, nos Estados Unidos, e a seleção brasileira embarcou para lá na segunda-feira, 22, com uma coleção de medalhas conquistadas nas duas primeiras fases. São nove no total até agora, sendo duas de ouro, uma de prata e seis de bronze, além dos pontos que valem para a classificação para os Jogos Paralímpicos de Paris 2024.

“A seleção brasileira sempre teve destaque nas competições internacionais e agora, na Copa do Mundo, conseguimos alavancar um pouco mais no ranking internacional”, declara Edilson Rocha, o “Tubiba”, coordenador de Paraciclismo da Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC), que embarcou junto dos atletas para os EUA.

Na primeira etapa, em Maniago, Itália, o destaque ficou com Lauro Chaman, medalhista nos Jogos Paralímpicos Rio 2016. Ele ganhou o ouro na prova de contrarrelógio e a prata na de resistência, ambas pela classe C5. Gilmara Sol também subiu ao pódio nas duas modalidades para pegar o seu bronze pela categoria H2. E André Grizante, representante brasileiro em Tóquio 2020, ficou com o terceiro lugar na prova de estrada pelo C4.

Já na segunda etapa, em Ostend, Bélgica, Grizante foi para as cabeças e faturou o ouro na prova de estrada C4. Chaman e Gilmara também voltaram ao pódio para pegar suas novas medalhas de bronze, ambas pela prova de contrarrelógio. A novidade ficou por conta de Carlos Alberto Soares, que ficou em terceiro lugar na estrada pela classe C1.

Tubiba também destaca os desempenhos das atletas Sabrina Custódio da Silva na classe C2 e Jady Martins Malavazzi na H3, com grandes potenciais de faturar medalhas e alavancar ainda mais a seleção brasileira no ranking da UCI.

Paraciclismo nas Olimpíadas

No começo dos anos 1980, o ciclismo paralímpico era praticado apenas por deficientes visuais. Nos jogos de Nova York 1984 as competições foram estendidas para atletas com paralisia cerebral e amputados. Em Atlanta 1996 as deficiências passaram a ser separadas em categorias, e em Sidney 2000 o handcycling, bicicleta impulsionada pelo braço, passou a fazer parte das competições.

O primeiro brasileiro a participar de uma Paralimpíada foi Rivaldo Gonçalves Martins, em Barcelona 1992, que se tornou o nosso primeiro paraciclista campeão do mundo em 1994, na Bélgica.

As regras do paraciclismo olímpico são definidas pela UCI – União Ciclística Internacional. São dois tipos de competição: de pista, que engloba as provas de contrarrelógio e velocidade; e de estrada, todas nas categorias masculina e feminina.

Tipos de bicicletas

Convencionais: para atletas amputados ou com deficiências físico-motoras, com possíveis adaptações para uso de câmbio e de freios;

Triciclos: para atletas com paralisia cerebral, contam com duas rodas atrás para ajudar no equilíbrio;

Handbikes: para atletas paraplégicos e tetraplégicos, são impulsionadas pela paraça dos braços;

Tandem: para atletas com deficiência visual, contam com dois selins e dois pedais para o acompanhamento de um guia.

Classes no paraciclismo (o grau de deficiência é decrescente do 1 ao 5 e podem ser antecedidas pelo M (masculino) e F (feminino) na descrição)

H1 a H5: atletas tetraplégicos (H1) e paraplégicos, que geralmente se posicionam deitados nas handbikes. Os da classe H5, com mais mobilidade, vão ajoelhados e também impulsionam a bicicleta com o tronco além dos braços;

T1 e T2: atletas com paralisia cerebral divididos por lesão grave e leve, competem em triciclos;

C1 a C5: atletas com deficiência físico-motora ou amputados, competem em bicicletas convencionais adaptadas, sendo os da C1 com deficiências mais graves e os da C5 mais leves;

B1 a B3 ou Tandem: atletas com deficiência visual sendo B1 cego total e B2 e B3 com baixa visão, competem todos juntos com um guia que vai na frente da bicicleta de dois lugares para dar a direção.

Para as Paralimpíadas de Paris 2024, o Brasil conquistou nas eliminatórias do ano passado as duas vagas disponíveis, uma masculina e outra feminina. Com a Copa do Mundo deste ano e os próximos eventos de paraciclismo da UCI até junho do ano que vem, esse número pode aumentar até sete. “Os atletas que vão representar o Brasil serão definidos ao longo desse período, e acredito que a gente consiga até seis vagas para as Paralimpíadas”, prevê Tubiba.

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Fonte: Bicicleta News, Aliança Bike.

Foto: Aliança Bike.