Paris, na França, avança em seu plano de se tornar uma cidade mais verde e ‘livre de carros’. Em uma consulta popular realizada no último domingo, 66% dos parisienses votaram a favor do projeto da prefeitura de transformar 500 ruas da cidade em áreas exclusivamente para pedestres, com o plantio de árvores e a eliminação de 10 mil vagas de estacionamento. A medida visa tornar a cidade mais acessível e reduzir a poluição.
Essas novas “ruas jardim” se juntarão às quase 300 já transformadas em zonas para pedestres desde 2020. O objetivo é criar um ambiente mais sustentável e melhorar a qualidade de vida na cidade. O plano da prefeita Anne Hidalgo é que, até 2040, 40% das ruas de Paris tenham vegetação, com a criação de cerca de 300 hectares de espaços verdes.
O projeto, que tem um custo estimado de 250 milhões de euros, será realizado ao longo de três anos, com o início das obras previsto para o mês de abril. Durante este período, serão feitas consultas em cada distrito para identificar as ruas mais adequadas para receber as intervenções.
Com o apoio popular, a prefeitura pretende fechar para carros cerca de 25 ruas em cada um dos 20 arrondissements (distritos). Atualmente, automóveis já não podem circular em cerca de 220 ruas. Com isso, uma em cada dez ruas de Paris deverá ser de uso exclusivo de pedestres. Os endereços ainda serão definidos posteriormente, em consultas com a população.
A decisão deve implicar ainda na perda de até 10 mil vagas de estacionamento na capital francesa ao longo dos próximos anos. Esse número se soma às outras 10 mil já eliminadas desde 2020.
Dados da prefeitura apontam que o trânsito na região caiu mais da metade desde 2001, quando os socialistas, atualmente liderados pela prefeita Anne Hidalgo, ascenderam ao poder. Na Paris central, apenas um em cada três domicílios dispõe de um carro. Nos subúrbios, onde vivem 10 milhões de pessoas e a rede de transporte público é menor, essa proporção é de dois para cada três.
Essa iniciativa é parte de uma série de ações sustentáveis promovidas por Hidalgo para melhorar a vida na cidade, como o aumento das taxas de estacionamento para SUVs, limite de velocidade máxima de veículos a 30 km por hora em toda a cidade e o incentivo ao uso da bicicleta. Durante seu mandato, Paris também se preparou para os Jogos Olímpicos de 2024, com a implementação de mais de 1.000 quilômetros de zonas adaptadas para ciclistas.
Parte do pacote de mudanças estruturais, o bloqueio de veículos particulares na zona dos arrondissements de Paris vem sendo estudado pelo menos desde 2021, quando as autoridades apresentaram um plano para estabelecer uma “Zone à Trafic Limité” — ou “Zona de Tráfego Limitada”, em português. “Arrondissements” é a forma como os bairros são divididos na cidade.
Anunciada no último dia do mês de outubro, a Zona de Tráfego Limitada proíbe carros particulares de entrarem nos quatro arrondissements mais centrais da cidade, caso o destino final esteja fora da zona, que cobre cinco quilômetros quadrados.
Entre 175.000 e 250.000 viagens de trânsito são feitas diariamente nessa área, com isso as autoridades esperam reduzir esse número em pelo menos metade. Apesar disso, os cerca de 100 mil residentes que vivem nestes arrondissements de Paris não enfrentarão as restrições.
Além deles, as regras também não serão aplicadas para motoristas com deficiência, ônibus, táxis, serviços de emergência, trabalhadores da saúde, veículos de entrega e alguns trabalhadores essenciais, que poderão solicitar permissões.
A fiscalização da zona também será gradual. Conforme as autoridades parisienses, os primeiros seis meses serão o que a polícia de Paris chama de “período pedagógico”, no qual veículos infratores poderão ser parados e orientados sobre as regras que estão violando. Após esse período, motoristas infratores estarão sujeitos a uma multa de €135 (aproximadamente R$ 829).
Os controles de tráfego e de poluição fazem parte da agenda de governo da prefeita Hidalgo. Antes da ZTL ela já havia introduzido controles sobre veículos mais antigos em 2017, exigindo que todos obtivessem uma permissão para dirigir na cidade e proibindo os mais antigos e poluentes.
Naquele mesmo ano, Paris retirou uma das principais rotas de carros ao transformar as margens do Rio Sena, que haviam sido usadas por carros desde a década de 1960, em uma área de pedestres. No ano seguinte, toda a região de Paris — não apenas a cidade — proibiu os carros a diesel mais antigos.
Fonte: Um Só Planeta, ClimaInfo, g1.
Foto: Getty Images.
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