Satélite da Nasa revela afundamento extremo da Cidade do México

A Cidade do México, considerada a maior metrópole da América Latina, enfrenta um processo acelerado de afundamento do solo que já pode ser observado até do espaço, segundo estudos recentes baseados em imagens de satélite da NASA. Dados indicam que algumas áreas da capital mexicana estão afundando a uma taxa de até 2 centímetros por mês, o que acende um alerta entre cientistas e autoridades.

Por ter sido construída por cima de um aquífero, a cidade passa por uma intensa retirada de água subterrânea. O peso da urbanização só contribui para o afundamento. Entre os anos 1990 e 2000, partes da região metropolitana começaram a ceder cerca de 35 cm por ano, danificando diversas estruturas.

O fenômeno, que já acumula um rebaixamento de mais de 12 metros em menos de um século, é provocado pela compactação das camadas de terra após a retirada intensiva de água dos reservatórios subterrâneos para abastecer os 22 milhões de habitantes da região.

De acordo com medições obtidas pelo satélite NISAR, desenvolvido em parceria entre a agência espacial norte-americana e a Organização Indiana de Investigação Espacial, o fenômeno ocorre de forma desigual pela cidade, com regiões apresentando níveis mais críticos. As imagens de alta precisão permitem monitorar essas variações em tempo real, revelando a dimensão do problema.

A tecnologia (Radar de Abertura Sintética, em tradução livre), é um tipo de coleta de dados ativa em que um instrumento emite um pulso de energia e registra a quantidade dessa energia refletida após interagir com a Terra.

O NISAR opera a fim de mapear alguns dos processos mais complexos da Terra, sendo capaz de monitorizar movimentos sutis, como subsidência (afundamento do solo). Os dados coletados para o diagnóstico são recentes, tendo sido reunidos entre outubro de 2025 e janeiro deste ano. Esse período é de seca no país.

Lançado em julho de 2025, o satélite busca justamente analisar áreas de rápida transformação em tempo real. Ele foi projetado para rastrear movimentos como afundamento e elevação do solo, deslizamento de geleiras e crescimento de plantações.

Com essa taxa de afundamento de até 2 centímetros por mês em algumas regiões, isso significa um impacto de afundamento de até 24 centímetros por ano. Esse processo contínuo tem provocado impactos diretos na infraestrutura urbana, como danos em ruas, prédios e sistemas de drenagem, segundo pesquisadores.

“Imagens como esta confirmam que as medições do Nisar estão de acordo com as expectativas”, afirma Craig Ferguson, gerente adjunto de projetos na sede da Nasa em Washington. “O radar de banda L de comprimento de onda longo do Nisar possibilitará a detecção e o rastreamento do afundamento do solo em regiões mais desafiadoras e com vegetação densa, como comunidades costeiras, onde podem ocorrer os efeitos combinados do afundamento do solo e da elevação do nível do mar.”

O paradoxo dos degraus e a herança lacustre

A arquitetura da capital é o reflexo mais evidente de que a Cidade do México está afundando de forma contínua.

Essa alteração é possível de ser percebida no dia a dia, como no monumento do Anjo da Independência, no Paseo de la Reforma, inaugurado em 1910. A diferença de fixação da estrutura denuncia e dá a dimensão do desafio. Enquanto a coluna permanece estável por estar fixada em camadas profundas, o terreno ao redor tem cedido ao longo dos anos, o que fica ainda mais aparente por ter demandado a construção de 14 degraus extras para que a população continuasse tendo acesso à base da estrutura.

Além disso, o cenário de crise é um reflexo direto do passado geográfico da região:

Fundação sobre a água: A cidade ocupa o antigo leito seco de lagos, como o Texcoco e o Chalco.

Canais extintos: Ruas do centro histórico já foram canais navegáveis no passado.

Ecossistemas em risco: Regiões úmidas remanescentes, como o Lago Nabor Carrillo, ainda abrigam o axolote, espécie ameaçada pela degradação do solo.

Compactação irreversível: À medida que a água é extraída do aquífero para consumo, o solo se comprime e perde o volume original.

Monumentos históricos e infraestrutura sob ameaça

Os efeitos do afundamento não poupam nem o patrimônio cultural nem os serviços essenciais.

A Catedral Metropolitana, cuja construção remonta ao século XVI, já exibe inclinações que podem ser notadas por qualquer visitante.

Além disso, pontos estratégicos para a economia e o transporte, como o aeroporto principal da cidade, também figuram entre as áreas de maior risco detectadas pelos radares da NASA.

A extração de água subterrânea cria um ciclo perigoso: quanto mais a cidade cresce, maior é a demanda hídrica e, consequentemente, mais rápido o solo cede.

Portanto, a crise hídrica crônica enfrentada pelos mexicanos não é apenas uma questão de desabastecimento, mas uma ameaça direta à integridade física de edifícios e sistemas de transporte.

Além de expor a fragilidade do solo, as imagens destacam que a gestão hídrica atual é insustentável a longo prazo.

Enquanto isso, a tecnologia continua a fornecer subsídios para que engenheiros e geólogos tentem prever onde ocorrerão as próximas rachaduras em adutoras ou trilhos de metrô.

A principal causa do fenômeno está relacionada ao crescimento da própria cidade, aliado à demanda por água, que acabou por consumir o aquífero subterrâneo. Antes, a região era dominada por lagos e antigos canais, o que hoje já deu lugar a ruas e construções. Esse esvaziamento em vários níveis contribui para a compactação do solo, levando à subsidência.

“A Cidade do México é um crítico ponto conhecido quando se trata de subsidência e imagens como esta são apenas o começo para o Nisar”, disse David Bekaert, gerente de projetos do Instituto Flemish de Pesquisa Tecnológica e membro da equipe científica do Nisar. “Veremos uma onda de novas descobertas em todo o mundo, dadas as capacidades únicas de sensoriamento do Nisar e sua cobertura global consistente”.

Fontes: O Globo, CNN, CPG – Click Petróleo e Gás.

Foto: Pexels.

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