Usina de reciclagem transforma bitucas de cigarro em artesanato e até material de construção

Uma usina de reciclagem em Votorantim (SP) encontrou uma solução sustentável para um dos tipos de lixo mais comuns do planeta: a bituca de cigarro. A Poiato Recicla já reciclou mais de 800 milhões de bitucas, vindas de mais de 9 mil pontos de coleta distribuídos pelo Brasil.

Consideradas um grande problema ambiental, as bitucas de cigarro podem levar até 15 anos para se decompor, liberando substâncias tóxicas que contaminam o solo e a água.

Na usina, o material passa por um processo que o transforma em uma massa de celulose, livre de odor e toxinas. Com apenas 10 bitucas, é possível produzir uma folha de papel reciclado. O material também pode ser usado em artesanato e na construção civil.

Descontaminação das bitucas

O processo para transformar o lixo tóxico em matéria-prima começa com o cozimento das bitucas em grandes panelas. A usina em Votorantim recicla cerca de 90 quilos por dia. Após o cozimento, as toxinas do tabaco são transferidas para a água, que não é descartada, mas sim armazenada e enviada para cooperativas especializadas no tratamento de efluentes.

Em seguida, as bitucas passam por um processo de lavagem e secagem. Curiosamente, a empresa utiliza uma máquina de lavar industrial adaptada, já que não existem equipamentos específicos para essa reciclagem. A água usada nesta etapa também é tratada e reutilizada na própria usina.

Após a limpeza, as bitucas são tratadas para clarear e, 24 horas depois, são prensadas, transformando-se em discos de celulose. Essa massa de celulose é a matéria-prima final, que pode ser usada para criar papel, itens de papelaria, embalagens e até esculturas.

O trabalho da Poiato, com ajuda de pesquisadores, é tornar essa massa resistente para ser aplicada em mais projetos de construção civil, como uma pista de skate que foi construída em Ubatuba (SP).

Para colaborar com o projeto, basta descartar as bitucas nos coletores da empresa, que estão espalhados por diversas cidades do Brasil. As localidades podem ser consultadas nas redes sociais da iniciativa.

Uso na construção civil

A pesquisa com a massa de celulose das bitucas busca oferecer uma alternativa mais sustentável para a construção civil, reduzindo o uso de materiais de alto impacto ambiental, como cimento e ferro.

“Os resultados preliminares mostram redução de até 43% no uso desses materiais e uma economia entre 35% e 40% nos custos das obras”, afirma.

A iniciativa já saiu do papel. Em parceria com arquitetos, a empresa já construiu duas pistas de skate usando o material reciclado. O próximo passo é a conclusão de uma casa de mais de 100 metros quadrados em Aiuruoca (MG).

A Poiato Votorantim

A usina da Poiato Recicla está localizada em um complexo comercial no bairro Parque Jataí, em Votorantim. Diariamente, a unidade recebe barris com bitucas coletadas em todo o país e despacha a massa de celulose para parceiros.

Para o fundador, Marcos Poiato, o diferencial é a profissionalização do processo. A empresa emprega 12 pessoas da área ambiental, que trabalham de segunda a sexta, das 8h às 17h.

“O trabalho precisa seguir normas ambientais e ter uma estrutura organizada. Isso faz diferença para conquistar grandes clientes e manter um projeto sustentável funcionando”, afirma.

Projetos educativos

Além de transformar bitucas de cigarro em matéria-prima, a Poiato Recicla investe em ações de educação ambiental para conscientizar sobre o descarte correto de resíduos. A empresa mantém parcerias com escolas, universidades e prefeituras para realizar palestras, oficinas e atividades interativas.

Segundo a empresa, o objetivo é estimular a prática sustentável desde cedo. “Acreditamos que, desde os primeiros anos de vida, as crianças e os jovens devem ser incentivados a cuidar do meio ambiente. As ações educativas ajudam os alunos a compreender a importância da reciclagem, despertando o senso de responsabilidade ambiental”, informa a empresa em seu site.

A iniciativa também se estende ao ambiente corporativo. A Poiato Recicla oferece consultoria para empresas que desejam implementar programas de coleta seletiva e campanhas de conscientização interna, além de oferecer treinamentos para os funcionários.

Para o fundador, Marcos Poiato, o investimento em educação é fundamental. Ele acredita que a conscientização é um processo contínuo que depende da participação ativa de todos.

Fonte: g1.

Foto: Victoria Schaal/Shutterstock.com.

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