Adeus às Borboletas

As borboletas sempre provocaram certo fascínio na humanidade. Por ser um inseto tão impactante, numerosos estudos sobre eles são realizados,   destacando-se os esforços do naturalista britânico Alfred Russel Wallace. E esses insetos de asas tão coloridas não são apenas importantes para os prazeres das mentes científicas ou criativas, acima de tudo são uma parte fundamental dos ecossistemas em todo o mundo. As borboletas, juntamente com suas parentas mariposas, são um dos seres vivos mais importantes como base das cadeias alimentares. Além disso, possuem importante papel na polinização global.

Após mais de duas décadas de pesquisa, o biólogo alemão Josef H. Reichholf percebeu que o número desses lepidópteros estava diminuindo. As observações continuaram ao longo dos anos, e os resultados foram reunidos no seu último livro, que acaba de ser publicado na Espanha sob o título La desaparición de las mariposas. Ali, registra uma redução de mais de 80% na população de borboletas noturnas nos últimos 50 anos em sua zona de estudo, a periferia de um povoado no sudeste da Baviera. As causas são múltiplas, mas as principais estão nas mãos dos humanos, como o uso intensivo de pesticidas e fertilizantes, afirma.

Reichholf acrescenta que, apesar de ser algo generalizado, países como a Alemanha, Holanda ou outros do norte do continente estão sendo muito mais afetados por essa perda de mariposas em comparação ao sul da Europa. As causas mais importantes do fenômeno estão relacionadas com o cultivo. O problema dos pesticidas, argumenta, é que não agem apenas contra as pragas, mas também fora dos campos, sobre a vegetação natural. Quanto aos fertilizantes, o cientista explica que foram criadas condições muito úteis para um pequeno número de espécies de plantas, as quais deslocam as outras.

O aquecimento global também tem um espaço importante nessa questão. Dependendo do lugar, ele afetará os lepidópteros de maneira positiva ou negativa nos próximos anos: “Em curto prazo, o aquecimento global ao norte dos Alpes será melhor para as borboletas e outros insetos, já que a maioria destes últimos depende de temperaturas calorosas. Entretanto, há paisagens muito grandes que estão secando e se transformando em desertos e, portanto, a abundância de borboletas voltará a diminuir”, conclui.

As consequências da redução das populações desses insetos se refletem nas mudanças que causam para outros animais. Reichholf cita o caso de várias espécies de pássaros que dependem de certas “quantidades mínimas” de larvas e indivíduos voadores, como borboletas diurnas e noturnas.

O risco do desaparecimento das borboletas cresce a cada dia. De acordo com a Enciclopédia Britânica, em 2013  acreditava-se que uma em cada cinco milhões de espécies de invertebrados da Terra corria risco de extinção. E as borboletas foram uma das espécies que demonstrou um dos maiores declínios, um risco de desaparecimento total! Enquanto lesmas, ácaros, moscas ou lulas também apresentam declínio nas suas populações, mas não atraem a devida atenção do público. Porém as borboletas são emblemáticas e podem servir como um duro exemplo dos efeitos das nossas ações na biodiversidade do planeta.

Em junho de 2013, duas borboletas, conhecidas apenas no sul da Flórida, foram declaradas oficialmente passíveis de extinção. Primeiramente pesquisas extensas realizadas por mais de uma década indicaram que a Epargyreus zestos oberon e a Hesperia meskei pinocayo haviam desaparecido. Existiam apenas quatro borboletas nativas dos EUA já extintas e a última a ser citada foi há mais de 50 anos. À primeira vista, o que era uma simples perda de duas espécies de uma única área acabou representando um aumento de 50% nas extinções para todo o país. Isso gerou um alarme na comunidade científica.

O habitat que sustenta muitas espécies de insetos e pássaros também está com problemas. Mais de três quartos das pastagens na União Europeia (UE) estão em estado de conservação “desfavorável” ,uma designação ampla que pode significar várias coisas, desde a necessidade de melhorias até a perda total. No Reino Unido e nos Países Baixos, por exemplo, restam menos de 5% das pastagens seminaturais.

Com distúrbios típicos do Antropoceno, período geológico em que a ação humana altera drasticamente o funcionamento e os fluxos naturais do planeta, como a perda de seu habitat natural e a busca por morada em locais mais remotos, espécies de borboletas com asas brilhantes, em tons de vermelho, laranja e azul turquesa, estão diminuindo na Amazônia. Em seu lugar, sobrevivem insetos em tons pardos, cinzentos, como o cenário típico das queimadas, cada vez mais frequentes na maior floresta tropical da Terra.

O número de borboletas continua a diminuir em muitas áreas do mundo devido a atividades humanas. O impacto da destruição e poluição antrópica de habitats pode ser óbvio. De maneira alarmante, as tendências atuais relacionadas ao desenvolvimento humano, agricultura e poluição fizeram com que várias espécies de borboletas fossem extintas e colocaram muitas outras sob considerável pressão ecológica. O risco de desaparecimento das borboletas é real e não pode ser menosprezado.

Fontes: El País, BBC, Um Só Planeta, Ambiente Brasil.

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