El Niño e La Niña

Durante séculos, os pescadores da costa norte do Peru notavam, perto do Natal, o surgimento águas superficiais relativamente mais quentes do que o normal. Deram a este fenômeno o nome de El Niño, referindo-se à chegada do Menino Jesus.

O clima é influenciado por uma gama muito ampla e variada de elementos, sendo sensível a alterações de cada um deles. Temperatura, pressão, massas de ar, regime de chuvas, latitude, altitude, vegetação, relevo e muitos outros fenômenos e fatores estão interligados entre si, influenciando-se mutualmente.

No entanto, alguns acontecimentos climáticos são classificados como anomalias, representando alterações no sistema atmosférico e provocando mudanças em várias partes do planeta.

As duas principais anomalias climáticas são o El Niño e a La Niña. O que são esses fenômenos e qual é a diferença entre um e o outro?

El Niño e La Niña, eventos climáticos do Pacífico, correspondem ao aquecimento e resfriamento das águas do Oceano Pacífico, ocasionando efeitos em várias partes do mundo. Consiste na interação das águas superficiais do Oceano Pacífico tropical com a atmosfera, afetando os equilíbrios hídricos da superfície até situações extremas. Na sua fase quente se conhece como El Niño e na sua fase fria como La Niña.

O El Niño é o fenômeno resultante do aquecimento anormal das águas do Pacífico na costa litorânea do Peru, onde geralmente as águas são frias. Tal fenômeno produz algumas massas de ar quentes e úmidas, que geram algumas chuvas na região de entorno com a diminuição do regime de chuvas e com isso a seca, que afeta o Caribe, a Colômbia, Amazônia, o Nordeste brasileiro, a Venezuela, a Austrália, Indonésia e outras.

No Brasil, o fenômeno também contribui para o aumento de chuvas nas regiões Sul e em partes do Sudeste e do Centro-Oeste.

O déficit de chuvas dá origem a secas, impactando severamente as bacias hidrográficas. O efeito mais visível que se produz é sobre os setores elétricos desses países é que a indisponibilidade de água nos reservatórios afeta gravemente sua capacidade de geração hidroelétrica, a principal fonte de geração na Colômbia, Brasil e Venezuela.

O La Niña  é um fenômeno exatamente inverso. Ela representa um esfriamento anormal das águas do oceano Pacífico em virtude do aumento da força dos ventos alísios. Geralmente se manifesta de duas formas totalmente diferentes na América Latina: chuvas fortes e abundantes, aumento do fluxo do rio e inundações subsequentes na Colômbia, Equador e seca no Peru, Bolívia, s, Argentina e Chile.

No Brasil, provoca os efeitos opostos, com a intensificação das chuvas na Amazônia, no Nordeste e em partes do Sudeste, com aumento na vazão dos rios e enchentes. Além disso, provoca a queda das temperaturas na América do Norte e na Europa.

Geralmente, entre as duas fases, ocorre um período denominado ” zona neutra “ em que nenhum dos dois eventos está notavelmente ativo e as temperaturas estão acima da média.

Os eventos climáticos anômalos do Pacífico são cíclicos, ou seja, repetem-se durante um determinado tempo, podendo manifestar-se a cada três ou até sete anos.

O El Niño, no entanto, vem sendo mais comum que o La Niña em razão dos eventos climáticos globais e também da Oscilação Decadal do Pacífico, um comportamento igualmente cíclico de variações das águas do maior oceano do mundo e que dura, em média, 20 anos.

Os efeitos do La Niña e do El Niño, que vão de secas a inundações, de fortes chuvas a furacões, sempre dependem da área de oscilação: podem produzir secas na América Latina, fortes nevascas no norte dos Estados Unidos ou secas na Austrália ou nas ilhas do Pacífico.

E embora sigam padrões, isso não significa que cada vez que as condições são ativadas, elas se manifestam da mesma maneira: nenhum evento  é igual ao outro.

Vários desses últimos países experimentaram uma seca intensa desde o ano passado, que afetou lavouras, secou rios e impactou a geração hidrelétrica. Agora, teme-se que o La Niña atrase ainda mais a estação chuvosa no Cone Sul e torne 2022 um ano ainda mais seco nessa região..

Fonte: BBC, Mundo Educação, Educação Globo, Agrosmart.