Energias Sustentáveis: Cana-de-açúcar, veterana da energia verde

A agroindústria sucroenergética, movida a potência (e possibilidades) da cana-de-açúcar, tem papel essencial no trajeto da economia verde. Com essa matéria-prima histórica, o setor se coloca como um dos mais relevantes na bioeconomia nacional, alinhado à agenda mundial do baixo carbono, indo além da produção de etanol e de bioeletricidade.

É a cana que tem protagonizado o processo de bioeletrificação de veículos, que traz modelos híbridos flex e ainda aqueles com células de hidrogênio verde e todo universo de usos de energia que eles representam.

O Presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar), Renato Cunha destaca a presença dessas biotecnologias na indústria em Pernambuco – notadamente no Polo Automotivo Stellantis, em Goiana, Mata Norte do estado.

“Assim como a Toyota, Nissan, Volkswagen e outras grandes marcas, a Stellantis investe pesado no Brasil e em Pernambuco com tecnologias limpas e se tornou, em 2021, o primeiro polo industrial multiplantas carbono neutro da América Latina”, diz Cunha.

“Uma inovação em célere desenvolvimento no País são os carros movidos a célula de combustível (Hidrogênio do etanol), pela qual se obtém o hidrogênio verde, diretamente do etanol, para acionamento de motores elétricos. Volkswagen e Nissan participam dessas pesquisas, que em breve poderão atrair novos competidores”, continua o presidente.

Biometano

Cunha chama atenção para o biometano, um biocombustível que passará a fazer parte do portfólio das usinas sucroenergéticas nordestinas. A ideia é que ele seja um substituto limpo e renovável do diesel em caminhões e máquinas agrícolas, muito voltados, inclusive, ao agronegócio.

As perspectivas são promissoras. De acordo com a Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás), a produção brasileira de biometano corresponde a 400 mil metros cúbicos por dia (m³/dia), podendo chegar a 2,2 milhões de m³/dia até 2027.

“Segundo recente estudo da World Wide Fund for Nature (WWF), reconhecida organização não governamental ligada à conservação ambiental, o biometano será fundamental para a mitigação das emissões de gases de efeito estufa nos transportes pesados. Grandes montadoras, como Scania, Volvo e Iveco, já desenvolvem modelos neste segmento”, pontua Renato Cunha.

O relatório da WWF aponta o biogás e biometano como soluções para uma mobilidade automotiva mais sustentável, além de ser uma alternativa de matriz energética para outras aplicações.

Segundo Cunha, os números do setor Sucroenergético levam a potenciais da biomassa brasileira na produção de metano que corresponde a uma hidrelétrica de Belo Monte – e que a grande parte dessa capacidade está na indústria da cana. “Isto devido à produção obtida de biogás a partir de resíduos da fabricação do etanol, como a vinhaça e da torta de filtro da purificação do caldo”, diz.

Estudos técnicos feitos pelo Sindaçúcar com a Companhia Pernambucana de Gás (Copergás) no estado indicam que as unidades sucroenergéticas poderão atender até 20% da demanda diária por gás. Segundo Cunha, até o momento, dez usinas locais planejam participar do esforço de modulação de negócios para a produção, observadas condições para o retorno de investimentos.

A aposta do setor sucroenergético é que com essa maior oferta de energia limpa haja mais espaço de mercado e assim redução do aporte público para acionamento de usinas térmicas, que são movidas a energia fóssil. “Cálculos do Ministério de Minas e Energia (MME) projetam que somente a partir da vinhaça é possível extrair 50 milhões de m³/dia de biogás, o dobro do volume de gás natural que veio da Bolívia em 2019”, analisa o presidente do Sindaçúcar.

“O açúcar foi e é um grande indutor de exportações de produtos brasileiros, que atravessou os mares ainda no século do descobrimento. Da lavoura de cana, hoje disseminada por todo o País; veio ainda o etanol, a base de todas as fontes de energia aqui referidas. Elas nos ajudam a participar da revolução verde e da bioeconomia. Hoje, Pernambuco tem a perspectiva de se consolidar com um modelo verde e promissor de bioquímica verde”, finaliza Cunha.

Fontes: JC, UOL.

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