Estudo Internacional Indica Número de Espécies de Árvores no Planeta

Quantas espécies habitam o planeta? Das questões mais fundamentais da Ecologia, essa pergunta agora conta com uma resposta – pelo menos em relação às árvores. Em estudo global publicado esta semana na revista estadunidense Proceedings of the National Academy of Sciences – PNAS, cientistas calculam, com base em dados de mais de 90 países, que haja aproximadamente 73 mil espécies distribuídas nos principais biomas do mundo.

Também de acordo com o artigo O Número de Espécies de Árvores na Terra, pelo menos 9 mil espécies ainda estão por ser descobertas. Boa parte destas, cerca de 40% segundo o estudo, encontra-se na América do Sul, onde se destacam a Amazônia e a Mata Atlântica, reconhecidas como os biomas com maior riqueza e diversidade no planeta e localizadas majoritariamente no Brasil.

Liderado pelo biólogo Roberto Gatti, da Universidade de Bolonha, na Itália, em colaboração com cientistas de diversos outros países, o estudo conta com a coautoria do pesquisador e professor do Departamento de Ecologia (DECOL/UFRN), Alexandre Souza. O docente aponta o fato de mais de um terço dessas espécies ainda não descritas serem raras, com populações muito baixas e distribuição espacial limitada.

“Estimamos que a maioria dessas espécies é endêmica [ocorre em apenas uma região]. Estas descobertas destacam a vulnerabilidade da biodiversidade florestal global às mudanças produzidas pelos seres humanos no uso da terra e no clima, que ameaçam especialmente as espécies raras e, portanto, a riqueza arbórea do nosso planeta”, explica Alexandre Souza.

A diversidade de árvores é essencial para a estabilidade dos ecossistemas florestais e dos serviços ambientais por eles prestados à sociedade. Nesse sentido, conhecer bem a maior quantidade possível de espécies, bem como seus comportamentos e distribuição, é fundamental para a preservação dessa forma de vida diante de todos os impactos das ações humanas ao longo do tempo.

Mas a tarefa não é fácil. Desafios logísticos, econômicos e até mesmo de especificidades botânicas para a conceituação de espécie representam dificuldades para um conhecimento globalizado. O professor Alexandre Souza, no entanto, enxerga mudanças significativas nesse processo entre a comunidade científica ligada à Ecologia.

“Agora, cientistas de diferentes países estão articulados, reunindo dados coletados de forma local e, com isso, construindo grandes bases de dados globais com um nível de detalhe que não existia antes”, avalia. Alexandre aponta ainda esta pesquisa como um perfeito exemplo dessas mudanças.

“Em vez de contar apenas com a lista de espécies de cada região, este trabalho contou com os dados de cada uma de mais de 30 milhões de árvores individualmente medidas, georreferenciadas e identificadas em nível de espécie, distribuídas em todo o planeta. Esse tipo de base de dados era inimaginável até recentemente e está revolucionando a nossa capacidade de compreender a biosfera”, afirma o pesquisador.

Além da transformação do perfil dos pesquisadores da área, outro ponto ressaltado por Alexandre Souza é a importância da valorização e do investimento em ciência. Na análise do professor, é por meio dela que os povos podem conhecer e usar com inteligência as riquezas naturais disponíveis.

“Sem investimento pesado e de longo prazo na pesquisa, ficamos no escuro sobre o que temos, quanto temos e onde estão nossos recursos. Os dados usados neste trabalho só existem porque vários países, o Brasil inclusive, investiram em bolsas de pesquisa, universidades públicas e projetos de formação de mestres e doutores ao longo das últimas décadas”, adverte o professor.

E a pesquisa deixa o seu legado. Entre as possibilidades futuras estimuladas por este artigo, enumera Alexandre Souza, estão: o estudo dos mecanismos evolutivos que produziram toda essa diversidade, permitindo a tentativa de prever como eles se comportariam no futuro; uma melhor avaliação de quais florestas podem ser mais resistentes às mudanças globais; e se as espécies não detectadas são na maioria das vezes raras e se estas são mais vulneráveis ao risco de extinção.

Fonte: Agecom UFRN

 

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