Maior Parte das Áreas em Regeneração na Amazônia não possui Aptidão Agrícola.

Uma análise do potencial agrícola de 7,2 milhões de hectares na Amazônia que estão em processo de regeneração mostrou que, deste total, 5,2 milhões de hectares – ou 73% do total mapeado – estão em locais sem aptidão agrícola. Isso significa que é possível recuperar a floresta em larga escala a baixo custo e sem perder terras agricultáveis

Os dados fazem parte do estudo Oportunidades para Restauração Florestal em Larga Escala no Bioma Amazônia – Priorizando a Vegetação Secundária, de autoria dos pesquisadores do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). O trabalho faz parte do projeto Amazônia 2030.

Áreas em regeneração são aquelas que foram desmatadas no passado e cuja vegetação nativa volta a crescer, passados alguns anos. No estudo, os pesquisadores do Imazon analisaram locais em que a vegetação secundária – esta que cresce em área que foi desmatada – possuía acima de seis anos.

A área classificada como tendo baixa aptidão agrícola é aquela em que há grande limitação para o plantio por estarem em aclives ou declives, o que dificulta o ingresso de máquinas agrícolas, como plantadeiras e colheitadeiras. O total mapeado nestas condições na Amazônia é maior do que o território do estado do Rio de Janeiro.

“Provavelmente, elas foram desmatadas no passado com a expectativa de serem usadas para a produção, porém, devido a essa dificuldade e altos custos, foram abandonadas e hoje estão em regeneração. Além disso, classificamos como áreas de baixa aptidão agrícola aquelas que estão às margens dos rios, onde o desmatamento é ilegal”, explica o pesquisador Paulo Amaral, do Imazon, um dos autores do estudo.

Onde estão as áreas não agricultáveis

Os pesquisadores do Imazon também analisaram a classe fundiária destas áreas em regeneração impróprias para a agricultura. O resultado da análise mostrou que 36%  (1,8 milhão de hectares) estão em territórios privados ou em assentamentos. Isso significa, segundo os autores do estudo, que tais áreas podem ser usadas por proprietários de terras e agricultores no processo de adequação das propriedades à legislação ambiental.

“Na Amazônia, estima-se que produtores precisam recuperar cerca de 8 milhões de hectares para cumprir as leis ambientais […] Além de impedir prejuízos com multas ambientais, ter propriedades adequadas à legislação pode ajudá-los a conseguir financiamentos e a valorizar a produção”, ressalta Amaral.

Outros 22% das áreas em regeneração sem aptidão para agricultura estão dentro de terras protegidas; 20% estão em terras públicas não destinadas, e 12% em vazios fundiários – onde não há informações sobre titularidade. Outros 10% são áreas registradas no Cadastro Ambiental Rural (CAR), mas onde não é possível analisar a legalidade desses cadastros.

Áreas com potencial agrícola

O trabalho do Imazon também traz um alerta: dos 7,2 milhões de hectares em regeneração na Amazônia com mais de 6 anos, 2 milhões de hectares (27% do total) estão em áreas com “alta aptidão agrícola”. São elas que correm maior risco de voltarem a ser desmatadas, diz o estudo.

A maior parte das terras com essas características são áreas privadas, assentamentos, têm CAR ou estão em áreas protegidas cuja agricultura é permitida. O total destas áreas chega a 1,4 milhão de hectares (72% dos 2 milhões).

Por este motivo, os pesquisadores afirmam que os governos devem priorizar essas áreas durante as ações de regularização ambiental e de validação dos CAR, além de implementar uma compensação financeira pela proteção da vegetação.

Outros 16% das áreas em regeneração com alta aptidão estão em terras públicas não destinadas, justamente as preferidas para grilagem – invasão de terras para obtenção de posse e de lucro com a venda posterior. A recomendação é que os governos transformem estas áreas em terras indígenas, quilombolas ou unidades de conservação. Os 12% restantes estão em vazios fundiários.

Fontes: Imazon, ((O)) eco.

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