O que é o Permafrost

Os solos congelados “Permafrost”, dos quais se espera que uma parte significativa venha à superfície até 2100 por causa do aquecimento global, de acordo com um relatório da ONU, ameaçam liberar vírus esquecidos e bilhões de toneladas de gases de efeito estufa, com o risco de acelerar o aquecimento global.

A palavra Permafrost é inglesa, e, etimologicamente, vem do latim, em que perm significa permanente e frost, congelado. Em português, ele também pode ser chamado de solo permanentemente congelado.

Esses terrenos permanentemente congelados são mais comuns em regiões com montanhas altas e, claro, nas latitudes mais altas da Terra, próximas aos polos norte e sul. Isso porque o clima que mais favorece o Permafrost é caracterizado por invernos longos e frios, com pouca neve e verões curtos, relativamente secos e frescos. Portanto, ele é mais presente no Ártico, no subártico e na Antártica. Estima-se que esteja subjacente a 20% da superfície terrestre do mundo.

O solo congelado está espalhado na parte norte do hemisfério norte, que ocorre em 85% do Alasca, 55% da Rússia e Canadá e, provavelmente, em toda a Antártica. O Permafrost é mais difundido e se estende a profundidades maiores no norte do que no sul. Tem 1.500 metros de espessura no norte da Sibéria, 740 metros de espessura no norte do Alasca e diminui progressivamente em direção ao sul.

Contém quase 1,7 trilhão de toneladas de carbono, ou seja, quase o dobro do dióxido de carbono (CO2) presente na atmosfera. Com o aumento das temperaturas, o Permafrost esquenta e começa a derreter, liberando progressivamente os gases que estavam neutralizados. O fenômeno, segundo os cientistas, deve ganhar velocidade, e, por isso, eles descrevem um círculo vicioso: os gases emitidos pelo Permafrost aceleram o aquecimento, que acelera o derretimento do Permafrost.

Além dos efeitos climáticos, o degelo do Permafrost, que abriga bactérias e vírus as vezes esquecidos, também representa uma ameaça para a saúde. Em 2016, um menino faleceu na Sibéria após ser contaminado por antraz, o que não acontecia há 75 anos na região.

Para os cientistas, a causa foi muito provavelmente o descongelamento de um cadáver de rena que havia sido vítima de antraz várias décadas antes. Liberada, a bactéria mortal, que se conservara no Permafrost durante mais de um século, infectou manadas de renas.

A ameaça não se limita ao antraz.

Estudiosos descobriram que nos últimos anos dois tipos de vírus gigantes, um deles de 30 mil anos de idade, estavam conservados no Permafrost.

Nas regiões árticas, que o degelo do Permafrost tornou mais acessíveis para a indústria da mineração e do petróleo, os cientistas preveem que alguns vírus podem despertar um dia, caso o homem remova o solo em demasia.

Por fim, o degelo do Permafrost também provoca danos materiais caros: desabamento de edifícios, deslizamentos de terras, estradas e pistas de aeroportos instáveis.

De acordo com um relatório de 2009 do Greenpeace, as empresas russas gastavam nessa data até 1,3 bilhão de euros por ano para reparar as tubulações, edifícios e pontes deformadas na Sibéria.

Fontes: G1, Ecycle, PUCRS, Socientifica, BBC, National Geographic.

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