Qual o impacto ambiental do desperdício de alimentos?

Além de não saciar a fome de 870 milhões de pessoas que não têm o que comer no planeta, o desperdício anual de 1,3 bilhão de toneladas de alimentos causa sérios danos ao meio ambiente, revelou hoje (11) a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) ao apresentar seu novo informe O rastro do desperdício de alimentos – impactos nos recursos naturais. / La Huella del Desperdicio de Alimentos- Impactos en los Recursos Naturales.

A FAO estima que jogamos fora 1,3 bilhão de toneladas de alimentos todos os anos. Se transferirmos esses dados para o campo econômico, estamos falando de cerca de um trilhão de euros, além dos 700.000 milhões de euros que esse desperdício de alimentos acarreta em custos ambientais e aproximadamente outros 900.000 milhões de euros em custos sociais.

Cidadãos de países desenvolvidos são os primeiros a desperdiçar alimentos na cadeia alimentar, já que 53% dos resíduos são provenientes de residências, seguidos de processamento de alimentos (19%) e serviços de catering e restaurante (12%) .

Alguns dos hábitos alimentares atuais, como comprar mais alimentos do que o necessário, porções excessivas nos pratos, jogar sobras no lixo, má conservação dos alimentos ou jogar fora produtos embalados quando o prazo de validade já passou, contribuem a estes números atuais exorbitantes de desperdício alimentar no mundo.

Essa perda de alimentos limita a capacidade da sociedade de alimentar de forma sustentável uma população crescente, o que também a torna um problema ético, já que há mais de um bilhão de pessoas no mundo (11% da população) que passam fome.

Durante a coletiva de imprensa para apresentação do informe na sede da FAO em Roma, Itália, o diretor geral da entidade, José Graziano da Silva, pediu a governos, agricultores, pescadores, processadores e comerciantes que busquem “mudanças em todas as esferas da cadeira alimentar humana para evitar, em primeiro lugar, que ocorra o desperdício de alimentos”. Para evitar que acabem no lixo, ele aconselhou a prática da reutilização e reciclagem dos produtos.

“Simplesmente não podemos permitir que um terço de todos os alimentos que produzimos se perca ou se desperdice devido a práticas inadequadas, quando 870 milhões de pessoas passam fome todos os dias”, alertou.

Em relação ao estrito impacto ambiental, sobre o qual você pergunta, a produção de alimentos gera emissões de dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4), gases de efeito estufa que contribuem para as mudanças climáticas além de gerar um desperdício de recursos que não são infinitos, como água, terra, recursos marinhos, etc…, utilizados na produção de alimentos que, às vezes, não são consumidos e são desperdiçados.

Se estima que los alimentos desperdiçados a nível mundial representam 3.300 millões de toneladas métricas de emissões anuais de dióxido de carbono y supõe a utilização de cerca de 1.400 milhões de hectares de terra, o que representa quase  30% da área de terras agrícolas no mundo.

Vale destacar também o impacto ambiental dos recursos utilizados no transporte e embalagem dos referidos alimentos desperdiçados, que se traduzem no consumo não utilizado de energia, combustível, geração de resíduos plásticos ou outros materiais utilizados nas embalagens, entre outros.

Relativamente a este último aspecto, a correta conservação dos alimentos é, muitas vezes, a melhor forma de minimizar o desperdício e aqui a embalagem pode desempenhar um papel fundamental. A utilização de embalagens sustentáveis, capazes de prolongar a vida útil dos alimentos, pode contribuir significativamente para a redução do desperdício de alimentos e, neste caso, o tipo de material utilizado é decisivo, pois pode minimizar o impacto ambiental e favorecer a economia.

Por fim, o desperdício alimentar também gera um impacto ambiental relacionado com a gestão de resíduos, o que implica o transporte dos mesmos, a manutenção de aterros, os processos de classificação de resíduos, para além dos custos energéticos necessários nas instalações que gerem estes resíduos.

Para resolver esse problema, no marco do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 12.3, até o ano de 2030, o desperdício global de alimentos per capita no varejo e nos consumidores deve ser reduzido pela metade e reduzir as perdas de alimentos nas cadeias de produção e distribuição, incluindo perdas pós-colheita.

Propõe-se também promover a geração de biogás a partir de resíduos alimentares. O biogás é composto principalmente de metano e dióxido de carbono, além de outros gases presentes em menor quantidade, podendo ser transformado em biometano, gás equivalente ao gás natural.

Dessa forma, seria possível recuperar o CO2 e o CH4 emitidos pelo desperdício de alimentos, evitando emissões para a atmosfera e reduzindo o impacto ambiental.

Em Espanha, os estudos do potencial energético do biogás apresentam dados entre 20,1 e 34,5 TWh/ano, o que implicaria uma poupança nas emissões de gases com efeito de estufa de 10,6 – 12,6 Mt CO2 eq/ano.

Na Europa,  o  objetivo comum é reduzir os gases de efeito estufa em 60% até 2030, para o qual a produção de biogás pode desempenhar um papel crucial.

A ação de cada um de nós pode ser decisiva na redução do desperdício de alimentos, adaptando nossos hábitos de consumo, para que possamos favorecer a proteção do meio ambiente, reduzir a pobreza mundial e aumentar a segurança alimentar.

Fontes: El País, Agroecologia, Ecodebate, ((O))eco.

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