Revolução Climática na Alemanha

O mundo tem até 2030 para realmente combater as mudanças climáticas e alcançar a meta, estabelecida pelo Acordo de Paris de 2015, de limitar o aquecimento global a 1,5 °C em relação aos níveis pré-industriais. É o que defendem cada vez mais cientistas e também o novo governo da Alemanha.

“Alcançar os objetivos de Paris para a proteção climática tem prioridade máxima para nós. A proteção climática assegura liberdade, justiça e prosperidade sustentável. A economia social de mercado deve ser refundada como uma economia social-ecológica de mercado”, diz o preâmbulo do acordo de coalizão anunciado há poucos dias pelos partidos Verde, Social-Democrata (SPD) e Liberal Democrático (FDP).

A mensagem é clara: um país industrializado da importância da Alemanha deve reduzir maciçamente seus gases de efeito estufa.

Fim da era do carvão até 2030, 80% da energia de fontes renováveis, 15 milhões de carros elétricos nas ruas: ambientalistas veem o país no caminho “de uma transformação profunda”, rumo a uma economia limpa.

Os planos do novo governo incluem a eliminação gradual da energia do carvão até 2030, oito anos antes da atual meta; fazer com que 80% da energia elétrica consumida derive de energias renováveis dentro de uma década; e levar 15 milhões de veículos elétricos às ruas alemãs até 2030. Também propõe a eliminação gradual do gás como energia até 2040.

A coalizão de governo afirma que suas políticas colocarão a Alemanha no caminho da meta de 1,5 grau Celsius, mas ambientalistas duvidam. A ONG Friends of the Earth “vê isso com grande ceticismo”, em parte devido à falta de “caminhos de expansão anual” específicos para energia solar e eólica. A ONG diz ainda que a meta de alcançar a neutralidade climática até 2045 “é tardia demais para apenas 1,5 grau Celsius”.

Ativistas do movimento Fridays for Future haviam exigido que um compromisso de 1,5 C fosse central para as negociações da coalizão governamental alemã. Mas, ao final, também ficaram desiludidos com o resultado.

Há também a preocupação de que o compromisso de eliminação progressiva do carvão em 2030 não seja obrigatório – a palavra “idealmente” foi inserida no programa de governo – e que a data de eliminação progressiva do gás natural sinalize uma tentativa de transição do petróleo e do carvão para um novo “assassino fóssil”.

O gás é controverso como fonte “mais limpa” que faria a ponte enquanto as fontes de energia verde, como a solar e a eólica, ainda estão se estabelecendo. Essa data de 2030, segundo o Fridays fro Future, viria dez anos tarde demais para a meta de manter o aquecimento global a 1,5 C frente aos níveis pré-industriais.

“A coalizão quer construir novas usinas de gás e afirma que o gás é criticamente necessário para a transição”, diz Deborah Ramalope, da Climate Analytics, uma instituição global de pesquisa da mudança climática. “Isso não é verdade e poderia levar à inércia e manutenção de combustíveis fósseis”.

Ramalope, que é cientista ambientalista, também está preocupada com o fato de que a linguagem da eliminação progressiva do carvão seja demasiadamente vaga, em vez de “um compromisso concreto”.

Ela acrescenta que a descarbonização do setor energético seria melhor servida por uma eliminação progressiva do carvão até 2029, de acordo com uma análise da Climate Analytics. Seu modelo também mostra que a Alemanha poderia aumentar sua participação de energias renováveis no mix energético para quase 90% até 2030, em vez de apenas 80%.

Já uma meta de 65% de redução de emissões até 2030 abaixo dos níveis de 1990 “está próxima”, explica Ramalope, “mas não compatível com 1,5 C”. Cerca de 70%, segundo ela, seriam necessários. No entanto, os analistas dizem que as novas medidas climáticas, tanto em termos de carvão quanto de gás, são plenamente alcançáveis. Ramalope diz que uma “transformação profunda” rumo a “uma economia energética limpa, dinâmica e resiliente, dominada por energias renováveis” está, em princípio, em andamento na Alemanha.

Fontes: DW, Udop, Ambiente Brasil.