Sistemas alimentares sustentáveis reduziriam 20% dos gases poluentes até 2050

Um novo relatório internacional sobre sistemas alimentares revela que pelo menos 10,3 bilhões de toneladas métrica de gases de efeitos estuda seriam poupados ao ano se os sistemas de produção alimentar do mundo se tornarem, de fato, sustentáveis. O documento, publicado pela Global Alliance for the Future of Food avaliou as propostas climáticas de 14 países — e grande parte está distante do necessário.

Do mesmo modo, melhorando a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, na sigla em inglês) para Sistemas Alimentares, um novo relatório publicado hoje pelo WWF, Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA), EAT e Climate Focus, aponta que países estão perdendo oportunidades significativas de reduzir emissões de gases de efeito estufa. Além disso, identifica 16 caminhos para tomadores de decisão empreenderem mais ações, do campo à mesa.

Ao incluir dietas e perda e desperdício de alimentos aos planos climáticos nacionais, tomadores de decisão podem melhorar a contribuição para a mitigação e a adaptação dos sistemas alimentares em até 25%.

A maioria dos planos climáticos avaliados não inclui ou prioriza os sistemas alimentares. Caso o mundo mude a maneira como produz, distribui, consome e descarta o alimento, essas 10,3 bilhões de toneladas métricas ao ano colocaria o planeta a 20% da meta de limitar o aquecimento global em até 1,5 °C até 2050.

O relatório avaliou a China, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Espanha, Bangladesh, Colômbia, Egito, Quênia, Senegal, África do Sul e Vanuatu. Tirando França, Alemanha e Estados Unidos, nenhum país apresentou esclarecidamente quais suas táticas para promover uma alimentação sustentável.

O documento também descobriu que nenhuma das nações avaliadas considerou as emissões de gases poluentes envolvidos nas importações de alimentos ou como elas podem intensificar o desmatamento e perda de habitats em outros pontos da Terra.

A adoção de uma abordagem de sistemas alimentares, destaca o relatório, cria resiliência climática. “E resulta em uma diversidade de soluções específicas de contexto para produção, distribuição, consumo e desperdício de alimentos”, acrescenta o documento.

Esforços por sustentabilidade ainda são poucos

Os EUA são considerados uma das terras mais férteis do mundo, o que faz de seus sistemas alimentares uma considerável fonte de emissão de gases de efeito estufa. Os últimos planos do país apresentados às Nações Unidas informam as emissões de CO2 do setor terrestre, mas não detalha o que será feito reduzir o desperdício.

Enquanto isso, no Reino Unido, suas demandas alimentares estão sobrecarregando os ecossistemas em outros lugares do mundo. Além disso, o relatório descobriu que o país não tem se movimentado para, pelo menos, tentar reduzir esses impactos internacionais.

Na China, o maior produtor mundial de alimentos, os sistemas alimentares devem dar conta de 1,4 bilhão de pessoas, mas conforme a demanda local por carne continua a subir, o país precisa importar ainda mais soja para alimentar o gado, o que contribuiu com o desmatamento, especialmente na América do Sul.

Apenas Colômbia, Senegal e Quênia demonstraram metas ambiciosas e sustentáveis em seus planos alimentares. Por exemplo, no Quênia, os esforços incluem medidas para ampliar a resiliência climática através do uso sustentável dos solos.

Já em Senegal, onde mais da metade da população trabalha na agricultura, os planos são os mais detalhados. São um dos poucos países a incluir a igualdade de gênero como parte do desenvolvimento sustentável. De modo geral, o relatório concluiu que mesmo os melhores planos ainda podem melhorar.

Fontes: Canaltech